The Lords of the Manor: uma experiência genuína no coração dos Cotswolds

Na aldeia de Upper Slaughter, o hotel The Lords of the Manor oferece uma genuína experiência campestre, num ambiente bucólico e muito relaxante.



Talvez seja da idade mas há algo que não me faz perder muito tempo na escolha “daquele lugar especial”. Tenho aprendido a ter a sensibilidade de no meio de um manancial de candidatos, perceber qual me trará memórias inesquecíveis. Para ficar uns dias nos Cotswolds e sentir o melhor possível a essência deste ambiente campestre procurei uma casa com história. Uma vez mais acertei no The Lords of the Manor.

Vértice: no topo do planalto de Alijó

Há 30 anos, as Caves Transmontanas foram pioneiras a demonstrarem o potencial do terroir do planalto de Alijó. Amplitudes térmicas, solos graníticos, altitude média de 550 metros e seleção de castas constituem condições de excelência para a produção dos espumantes Vértice.


Há tempos, numa conversa e por graça, contei quantas adegas já visitei. São cerca de cinquenta, sendo que algumas já bisei. Tenho conhecido produtores, enólogos, gestores de marketing mas também pessoas que fazem disso a sua atividade mas sem qualquer interesse pelo assunto. De muitas dessas pessoas ainda me recordo dos seus rostos e nomes. E das histórias que me contaram. Mas há duas que verdadeiramente me cativaram e que podira ficar horas a ouvi-los: o Pedro Araújo da Quinta do Ameal e Celso Pereira das Caves Transmontanas. Ambos têm uma visão muito bem definida do produto que representam e os seus discursos são limpos, sem demagogias nem excessos. Sabem o valor dos seus vinhos e onde querem estar. E isso transmite uma enorme confiança para quem escuta e consome.

Quinta do Portal

Vou todos os anos ao Douro e o mais fantástico é que continuo a sentir aquela emoção como se o estivesse a fazer pela primeira vez. Felizmente, tenho também conseguido conhecer lugares que mantêm a essência duriense e permitem uma genuína experiência do que é uma quinta no Douro. Este ano fui conhecer a Quinta do Portal.


É fácil entender porque é que as quintas junto do rio são as mais visitadas. Quem visita o Douro, por vezes uma única vez na vida, quer estar perto do rio, imaginar o que seriam os barcos rabelos carregados de pipas para Gaia e almoçar, pernoitar ou simplesmente terminar o dia com um copo de vinho do Porto num bonito miradouro criado para o efeito. Eu também tinha essa ilusão. Mas este ano decidi conhecer um outro Douro e adorei a experiência.

Arte chocalheira

Usados nas regiões de pastorícia, os chocalhos têm a sua maior expressão no Alentejo. Os Chocalhos Pardalinho continuam a produzir estes objetos identitários das Alcáçovas, classificados como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.


Quando em 2015 a UNESCO classificou a arte chocalheira, os chocalhos voltaram a estar na ordem do dia. Entrevistaram-se artesãos, recordou-se a urgência em passar a arte às gerações futuras e em não deixar morrer uma tradição com cerca de 2000 anos. Mas como tantos outros assuntos, acabou por esmorecer com o tempo.

Egídio Santos: o oleiro mais tradicional de São Pedro do Corval

Nascido e criado em São Pedro do Corval, Egídio Santos começou na adolescência a aprender a arte da família. Hoje é o único oleiro na aldeia que mantém a arte tradicional.


Já aqui partilhei que o meu avô era oleiro e que em casa dos meus pais existem muitas peças em barro. Foram pensadas  como utilitárias mas hoje são apenas decorativas e representam um legado da minha história familiar. Sinto, por isso, um carinho especial pela olaria e tenho procurado conhecer mais sobre sobre esta arte em Portugal.

Queijaria Cachopas

Foi há cerca de 50 anos que a avó Maria começou a fazer queijos de forma artesanal. A Queijaria Cachopas cresceu, sempre na família, e hoje é uma das empresas de referência em Évora.


Há uns anos, em conversa com um amigo, disse-lhe que ia passar o fim de semana a Évora.
-E vais trazer queijinhos? - perguntou.
-Queijinhos?
-Sim. Sempre que vou a Évora, passo pelo mercado para trazer queijinhos.
A verdade é que fui a Évora dessa vez e tantas outras e nunca procurei os ditos queijinhos. Mas a sugestão ficou-me.
Quando regressei para passar o meu aniversários no Convento do Espinheiro, voltei a pensar nos queijos. Sempre que procurava sobre o assunto, aparecia-me a referência à Queijaria Cachopas.
Chegar à queijaria e encontrar um pequeno jardim zoológico foi uma enorme surpresa. Num espaço de consideráveis dimensões é possível ver várias espécies animais: cães, javalis, lebres da patagónia, cabras, aves.




Localizando-se à beira da estrada e sendo de acesso livre, poderia ser a razão para justificar tantas pessoas, mas não. Vêm sobretudo à loja adquirir os vários produtos fabricados na Queijaria Cachopas.
Ana Cachopas, que dá continuidade à atividade iniciada pela avó há meio século, fala-me desta empresa familiar. A avó Maria cresceu na aldeia de Montoito, onde o pai era pastor e com quem aprendeu a fazer queijo. Quando fez 35 anos veio morar para Évora onde deu continuidade ao que melhor sabia fazer: queijo. Deslocava-se para junto dos rebanhos que davam leite (alavão) na zona de Cuba e Trigaches e ia alugando espaços onde produzia os queijos, entre Janeiro e Maio. A partir de Junho era altura de os vender nas feiras.
Mais tarde, o seu pai, Joaquim Cachopas, adquiriu uma manada de vacas e instalou-se onde agora é a queijaria. A avó Maria continuou a fazer queijo até há cerca de meio ano atrás. Foi forçada a deixar a atividade aos 88 anos devido a problemas de saúde. Tanto Ana Cahopas como a irmã, ambas com formação superior, deixaram as suas atividades profissionais para darem continuidade a este património familiar.

A produção que começou por ser feita em cântaros de barro e fogo de chão deu lugar a uma queijaria moderna, dotada de toda a tecnologia necessária para garantir um produto de qualidade mas com uma longa tradição artesanal.
Joaquim Cachopas ainda mantém vacas que fornecem o leite à queijaria. O leite de cabra e ovelha adquirem a outros produtores. Depois de recolhido, o leite é arrefecido e trazido para a queijaria e colocado em centros frigoríficos, onde permanece até ao dia seguinte a uma temperatura de 4ºC. Todo o leite para produção de queijo fresco é pasteurizado. O restante também passa pelo pasteurizador, embora só para aquecer e filtrar. O queijo pasteurizado é fabricado a cerca de 60ºC. O queijo feito a partir de leite cru é fabricado a 30ºC.
Além de conhecer mais sobre os queijos de Évora, tinha particular interesse no almece. Ana Cachopas abre a grande "panela" onde já se cozinha esta iguaria alentejana.


O soro do leite de ovelha, cardo e sal fica a cozer cerca de 1h30 até se separar da coalhada. O soro vem novamente ao lume a 90ºC e começa a formar uma espécie de flocos, ou seja, o almece. A única diferença entre o almece e o requeijão é que este é escorrido e o primeiro é servido com o caldo.
Come-se com açúcar e canela ou, como manda a tradição no Alentejo, em sopas de pão. Muitos fazem dele uma refeição por si só.
Na Queijaria Cachopas há dois tipos de fabrico de queijos: o manual e o de moldes. Como já é final de dia, apenas consigo ver este último.


Posteriormente, os queijos são colocados na câmara a curar. Este processo demora cerca de três semanas, ainda que possam ficar mais de um ano. São virados diariamente e mudados de câmara consoante o tipo de cura pretendido: amanteigado, meio seco, meia cura. O aumento da temperatura e a diminuição da humidade vai dar-lhe um aspecto mais amarelado e uma consistência mais seca.


Espreito algumas câmara e pergunto quantos queijos aqui existem. Ana Cachopas não sabe ao certo mas diz-me que diariamente (exceto ao Domingo) transformam 10 mil litros de leite de vaca, 2000 litros de ovelha e 500 litros de cabra em quejos. Pela amostra, eu diria que são muitos. Ainda assim, não lhes permite terem uma grande exportação, dado que o mercado interno absorve quase toda a produção.


Na loja pode ver-se os vários produtos da Queijaria Cachopas: queijo fresco, requeijão, queijos barrados com pimentão, salsa e alho, creme de queijo e doce de leite. Em breve, irão também lançar uma produção de iogurtes.
Não tive oportunidade de conhecer a avó Maria mas ao olhar para todos estes produtos pensei no orgulho que terá nela própria e na sua família.

Queijaria Cachopas
Estrada Salvadas 1 Quinta Lage
7005-839 Évora | Portugal

Cortiçarte

O sobreiro é das espécies mais emblemáticas de Portugal, característico do alentejo e serras algarvias. É conhecido sobretudo pela produção de cortiça muito direcionada para a indústria da rolhas de vinho. Mas desta matéria prima pode-se obter muito mais.


O sobreiro é um elemento cosntante na paisagem alentejana. Vejo-os ao longe, um aqui, outro além, porque a Natureza é como uma obra de arte: necessita respirar. Do sobreiro obtêm-se sobretudo duas importantes matérias: a bolota, antigamente dada sobretudo aos animais e hoje transformada em produto gourmet, e a cortiça, que continua a ser direcionada para a produção de rolhas. No entanto, pelas suas características de elasticidade, impermeabilidade e isolante térmico, é também usada na indústria da construção, decoração e têxtil.