9 de janeiro de 2018

Mesa de Lemos

Fazia falta no Dão um restaurante como a Mesa de Lemos. A visão de Celso de Lemos e a mestria de Diogo Rocha colocaram Silgueiros na rota dos melhores espaços gastronómicos de Portugal.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
Tenho o privilégio de ter estado em dois momentos na Mesa de Lemos. A primeira foi há dois anos, durante as vindimas, onde apenas conheci o espaço. Fiquei assoberbada com o impacto, primeiro no exterior, para a imensidão de vinhas e depois no interior, com todas as obras de arte e aproveitamento arquitetónico da mãe natureza. A última foi pelo S. Martinho, num jantar exclusivo.
Sob o breu da noite, a Mesa de Lemos parece uma caixa de luz, para onde nós, comensais, nos encaminhamos. Ao entrar, a impressão mantém-se: o espaço, a arte, a harmonia mas também a proximidade. Não há barreiras entre sala e cozinha. Desfeita a curiosidade de quem estava a conhecer o espaço pela primeira vez, foi tempo de sentar.
O chef Diogo Rocha vem cumprimentar-nos e explicar o que tem preparado. Iria degustar um menú com apenas 15 dias onde homenageia as memórias e os sabores do proprietário.
–Quando cheguei ao restaurante (na verdade, ainda não havia restaurante), Celso de Lemos explicou-me o que pretendia: servir o melhor ovo, a melhor batata e o melhor azeite.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
A Mesa de Lemos não é “apenas” um restaurante. É a visão de Celso de Lemos para um espaço gastronómico requintado mas com um toque de informalidade.
Cada vez acho mais interessante haver um pouco de “teatralidade”, que neste caso é apenas trazer à mesa como tudo começou. Com um toalhete húmido com rosmaninho e um chá de rosmaninho e mel, dentro de um baú vem algodão egípicio, matéria prima das toalhas produzidas por Celso de Lemos na Abyss & Habidecor.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
Seguem-se quatro pequenas entradas: um carapau curado com sal, uma tartelete de azeitona, um pastel de massa tenra de moelas e um ovo que recolheu enormes elogios. Foram harmonizadas com espumante Ribeiro Santo Blanc de Noirs, feito a partir das castas tintas Tinta Pinheira e Touriga Nacional.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
Em vez da raia, pinhão e pêra optei por um prato mais leve: lagostim com molho de iogurte, abacate e romã.
Voltei a juntar-me aos restantes comensais para um porco bísaro de Trancoso acompanhado por brócolos e marmelo. Foi harmonizado com Quinta de Lemos Dona Santana 2010 composto por quatro castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
Numa noite com tantas combinações curiosas, segue-se mais uma novidade: como pré-sobremesa foi servida margaça com petazetas, uma planta parecida ao malmequer, que cresce nas vinhas e é colhida na primavera, seca e usada durante o ano.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
Para celebrar o S. Martinho veio a castanha de Vinhais com um creme de erva doce e um toque de jeropiga, mas aqui as memórias de Celso de Lemos cruzam-se com as minhas. Foi bom recordar porque é que o chocolate belga é dos melhores do mundo.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
No final era imperativo dar os cumprimentos ao chef e equipa. Tantos sabores autênticos, quase todos nacionais, numa homenagem ao homem por detrás da obra. À saída, sob um céu estrelado, penso que faltam poucos dias para se conhecer os restaurantes que irão receber as estrelas Michelin. Pode ainda não ser desta mas a Mesa de Lemos lá chegará.

Mesa de Lemos, Quinta de Lemos, chef Diogo Rocha
Mesa de Lemos
Passos de Silgueiros
3500-541 Silgueiros

www.celsodelemos.com

3 de janeiro de 2018

A minha Viseu

Chamam-lhe cidade-jardim mas Viseu é conhecida sobretudo pelas inúmeras rotundas. Considerada por diversas vezes como “melhor cidade para viver em Portugal”, combina história com modernidade, cozinha regional com novos tendências, espaços verdes com arte de rua.

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Fazia tempo que algumas das minhas memórias felizes me perseguiam. Sentia que tenho visitado tantos lugares e descuidado a cidade onde cresci. Era a Viseu que ia às compras, onde ao fim de semana passeava, onde ia tratar dos assuntos mais importantes e onde comecei a sair à noite, primeiro na The Day After e mais tarde na Hangar. Havia também os verões na Feira de S. Mateus, quando os automóveis ainda podiam entrar e se estacionava junto ao rio. Todos aqueles carrocéis, as luzes, o grande palco onde tentava espreitar quem atuava, o cheiro das farturas. Do que gostava mesmo era de entrar nos pavilhões, com os expositores mais bonitos e menos confusão.
14 de dezembro de 2017

Penela – a vila presépio

Conheci há pouco tempo uma colecionadora de presépios. Herdou alguns da mãe, tem mais de 500 figuras mas anda sempre em busca de peças antigas. Os olhos brilharam quando me falou do presépio de Penela, que visita religiosamente todos os natais. Este foi o ano em que também o fui conhecer.

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Uns dias de descanso no norte foram o mote para uma paragem em Penela. Já tinha visitado o castelo há uns anos e sabia que na época natalícia têm um dos melhores presépios de Portugal. Por ser dia de semana não pude assistir a todas as atividades disponíveis (presépio vivo, comboio de natal e o mercado também não estava a funcionar na totalidade). Ainda assim, valeu a visita.
7 de dezembro de 2017

Irmãs Flores

Chamam-se Maria Inácia e Perpétua Fonseca, mais conhecidas por Irmãs Flores. São das artesãs mais importantes na produção de figurado de Estremoz.

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É dia de mercado em Estremoz e por isso as ruas estão mais animadas. Junto à porta das Irmãs Flores algumas pessoas espreitam a montra mas há também quem entre. Sigo-lhes a pegada.
4 de dezembro de 2017

A Cozinha da Clara

Quando soube da inauguração do restaurante A Cozinha da Clara fiquei curiosa. Conheço relativamente bem a restauração no Pinhão e questionei-me da sua necessidade. Estando aberta não apenas aos hóspedes da Quinta de La Rosa, o objectivo seria, certamente, atrair também passantes. Na minha última visita desfizeram-se as dúvidas.

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O Douro é das regiões vínicas mais extraordinárias do mundo e o Pinhão uma espécie de porta de entrada e saída. Dá-me uma enorme tristeza sempre que chego e vejo aquelas construções descaracterizadas, a ausência de identidade nas lojas e a falta de cortesia em alguns restaurantes, apenas interessados em grupos com menus feitos à medida do que se quer vender. Por isso, quando conheci A Cozinha da Clara pensei: como foi possível só surgir agora?
27 de novembro de 2017

Quinta de La Rosa

Nos últimos anos tenho aprimorado o gosto por aquilo a que os ingleses chamam de “cosy places”. A Quinta de La Rosa é um desses exemplos. Sempre que fazia a N222 lá estava ela, na margem direita do Douro, com a sua icónica vinha: o Vale do Inferno. No S. Martinho fui conhecê-la.

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Regressar ao Pinhão é sempre especial, já que foi aqui que fiz a primeira saída após o nascimento do meu filho. Desta vez (Sábado) atravessei a vila quase sem ver vivalma, sempre com aquela calma que gosto de ter quando volto onde já fui feliz. Ao cruzar os portões da Quinta de La Rosa não imaginava que iria acrescer tantas outras memórias a um baú já repleto.
14 de novembro de 2017

Aldeia Histórica de Marialva

A cerca de 10 quilómetros de Mêda, as ruas empedradas da aldeia histórica de Marialva levam-nos a tempos longínquos da nossa história mas também ao quotidiano das gentes da terra que tão bem sabem receber.

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Todas as estações são boas para visitar a aldeia histórica de Marialva mas acho que o cinza da pedra combina bem com o tempo frio. Conhecer apenas a aldeia ou dormir nas magníficas Casas do Côro é por si só uma boa experiência mas incompleta se não se entrar na zona amuralhada.
9 de novembro de 2017

Tipografia Popular do Seixal

No Seixal, na antiga Tipografia Popular A. Palaio, Lda, Eduardo Palaio dá a conhecer como funciona a única réplica em Portugal da prensa  de Gutemberg.

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Não foi necessário o convite do senhor Eduardo Palaio ao ver-me espreitar à porta do nº 41 na Praça Luís de Camões para entrar. Já sabia que por detrás da bonita fachada de azulejos há um património que ultrapassa o da antiga tipografia que aqui operou durante cerca de 50 anos. Além da oficina tradicional de artes gráficas, aqui recria-se também os primórdios da impressão.