O que mais gostei de comer na Áustria

Antes de visitar a Áustria, pouco conhecia da sua gastronomia. Mas ao fim de alguns dias de viagem percebi que os pratos são ricos, quentes e muito saborosos. Uma verdadeira cozinha de conforto, como eu gosto. Estes foram os meus favoritos.

Kaiserschmarrn



Também chamada de panqueca do imperador (dizem que era a sobremesa favorita de Francisco José I), que após confecionada é desfeita em pedaços e servida ainda quente, polvilhada com açúcar em pó e acompanhada de compota de ameixa e puré de maçã. É simplesmente deliciosa.

Apfelstrudel 



É das sobremesas austríacas mais famosas, cujo ingrediente base é a maçã. Pode ser servida ainda quente, simplesmente polvilhada com açúcar em pó ou morno comgelado de baunilha, chantilly ou o meu favorito, com o kanarienvogelmilch, um molho de baunilha.

Wienerschnitzel



Presente em todas as cartas de restaurantes (mesmo os mais conceituados), enche o olho e o prato, tal é o seu tamanho. Este fino panado de carne de porco (também pode ser de vaca ou frango) vem acompanho de batata frita, limão e por vezes uma salada de batata, alface e maionese. O Figlmüller é o restaurante mais conhecido em Viena que serve esta iguaria. Apesar de ter muitas salas, está sempre cheio, daí ser aconselhável reserva prévia.


Käsekrainer



É um prato tipicamente de conforto. Esta salsicha de carne de porco tem a particularidade de ter uma percentagem de queijo que lhe adiciona sabor e cremosidade. É servida com chucrute, batata frita e com a indispensável mostarda. Uma cerveja é o acompanhamento ideal.


Tafelpitz



O restaurante Mário Patucha é o local mais conhecido para apreciar esta iguaria, sempre lotado de turistas, almoços e jantares de negócios mas também habitantes locais. É o lugar onde se leva alguém que se quer impressionar. Nos seus corredores há um constante corrupio de tachos com o cozido de carnes servido em três momentos distintos. Começa-se com um caldo muito aromático onde a carne foi cozida com os legumes. Depois come-se a carne acompanhada de patata aos palitos tostada (Erdäpfelschmarrn) e maionese com cebolinho (Schnittlauchsauce). Dizem que o melhor vem para o fim: o interior do osso é barrado em pão torrado e é delicioso.

Sachertorte



A qualquer hora que se passe à porta do Café Sacher há sempre fila para provar a Sachertorte. Foi criada em 1832  por Franz Sacher,  especialmente para o príncipe Clemens Metternich.
A apresentação deste bolo de chocolate, com recheio de doce de damasco e uma fina mas crocante camada de chocolate é  exquisite mas não vale o tempo de espera. Há outros locais na cidade e no país onde também é servido, ainda que não possa ser chamada de “original”.

Knödel



Quando me chegou à mesa no magnífico restaurante da Adega Jammek, o pato acompanhado de knödel a surpresa foi enorme. Perfeitamente moldadas e de textura esponjosa mas firme, estas duas generosas bolas de massa de batata são deliciosas é muito saciantes.

Schnaps



Servido no final da refeição, esta aguardente é obtida da destilação de várias frutas: pêssego, pêra, marmelo e até frutos secos. O verdadeiro schnaps é incolor, apesar de existirem muitos no mercado com cores apelativas. Embora o seu teor alcoólico seja elevado consegue apresentar alguma frescura. Deve ser bebido de um só trago e com moderação.

Espumante Gruner Veltliner Bruto



Foi no restaurante da família Jamek, em Joching, que provei, além de alguns dos seus vinhos, este monocasta Gruner Veltliner extremamente floral, com boa acidez e bolha fina. Todas as garrafas que trouxe já foram consumidas e infelizmente não exportam para Portugal.


Mozartkugel



Este bombom foi criado em 1890 pelo confeiteiro Paul Fürst que quis homenagear o grande génio local, dando-lhe o nome de  Mozartkugel. O bombom original continua a ser produzido pelos descendentes de Fürst de forma artesanal, se bem que existem imitações no mercado. Feito de maçapão, nougat de pistachio e coberto com chocolate preto, é delicado e o verdadeiro souvenir para quem visita Salzburgo. Recebeu a medalha de ouro na Exposição Universal de Paris.

Truta Salmonada



No lago Fuschl abunda a truta salmonada. Aos hóspedes do incrível Schloss Fuschl, A Luxury Collection Resort & SPA são disponibilizadas pequenos barcos para um passeio ou até mesmo uma pescaria. Além de ser servido no restaurante Schloss Fuschl Fishery, apenas dedicado a este peixe, a truta esta também presente na carta do restaurante principal, numa simbiose da cozinha austríaca e francesa.

Salzburger Nockerln



É das sobremesa austriacas mais delicadas, já que um passo em falso e o resultado será desastroso. Feito a partir de ovos, açúcar, extrato de baunilha e muito pouca farinha, assemelha-se a um soufflé. Assim que a cobertura fica acastanhada, retira-se imediatamente do forno e serve-se polvilhado de icing sugar e acompanhado de compota de frutos vermelhos, o que lhe corta a doçura e confere alguma acidez.

Como fazer o verdadeiro Apfelstrudel?

O Apfelstrudel é das sobremesas austríacas mais famosas. A primeira receita que se conhece é do século XVII. Está presente em quase todos os restaurantes, alguns já com ligeiras alterações. Fui conhecer como se faz o verdadeiro strudel de maçã vienense.


Não foram muitas as vezes que comi strudel. Melhor, vou reformular. Até à minha viagem à Áustria nunca tinha comido um bom strudel. Mas por pior que fosse, foi bom o suficiente para procurar saber mais da sua origem. A primeira receita que se conhece é do século XVII e está na Biblioteca Nacional de Viena. Vem no menú de praticamente todos os restaurantes, ainda que com algumas variações. 
Como nunca me tinha aventurado a fazer um strudel, procurei um local em Viena para ter uma experiência. No Café Residenz, junto ao Palácio Schönbrunn, saem várias fornadas durante o dia. 
O cenário não podia ser melhor: uma cozinha com teto em abóbada, móveis e objetos antigos, onde antes se preparavam as refeições da família real.
Em cima da grande bancada estão alinhados todos os ingredientes presentes na preparação do strudel. Sento-me na primeira fila. O show está prestes a começar. 


É de facto um pequeno espectáculo, com sentido de humor mas também informativo. E com muitos gestos acompanhados de um grande sorriso, a pasteleira começa por explicar que o strudel tem por base duas coisas: a massa (de origem turca) e o recheio.
Numa mesa giratória começa por se colocar um pano de linho ou algodão. Depois espalha-se bastante farinha para a massa não colar. Começa então a trabalhar-se a massa. Uma pequena bola vai transformar-se numa folha gigante. A sua elasticidade é de tal forma que atinge proporções inimagináveis e para causar ainda mais impacto, pregam-nos alguns sustos onde pensamos que vai furar. Mas não, faz apenas parte do teatro. Diz-se que deve ficar tão fina que se pode ler através dela. 




Para o recheio há também dois aspectos importantes. Primeiro devem usar-se sempre maças cruas e ligeiramente ácidas cortadas em pequenos pedaços. As passas devem estar em rum durante 24 horas. E claro, não pode faltar a canela. Todos os ingredientes são mexidos numa taça e colocados no centro da massa. A manteiga vai selando à medida que se dobra, nas pontas é dado um nó e por último pincela-se com mais manteiga. Vai ao forno a 200ºC durante 20 minutos. Quando apresentar uma cor dourada, está pronto. 



Aqui, o strudel é servido ainda quente, simplesmente polvilhado com açúcar em pó. No entanto, nos restaurantes a apresentação varia. Normalmente é servido morno ou frio, com uma bola de gelado de baunilha, chantilly ou o meu favorito, com o kanarienvogelmilch, um molho de baunilha. E vocês, como gostam do vosso strudel de maçã?

Café Residenz
Kavalierstrakt 52
1130 Wien | Austria

The Lords of the Manor: uma experiência genuína no coração dos Cotswolds

Na aldeia de Upper Slaughter, o hotel The Lords of the Manor oferece uma genuína experiência campestre, num ambiente bucólico e muito relaxante.



Talvez seja da idade mas há algo que não me faz perder muito tempo na escolha “daquele lugar especial”. Tenho aprendido a ter a sensibilidade de no meio de um manancial de candidatos, perceber qual me trará memórias inesquecíveis. Para ficar uns dias nos Cotswolds e sentir o melhor possível a essência deste ambiente campestre procurei uma casa com história. Uma vez mais acertei no The Lords of the Manor.

Vértice: no topo do planalto de Alijó

Há 30 anos, as Caves Transmontanas foram pioneiras a demonstrarem o potencial do terroir do planalto de Alijó. Amplitudes térmicas, solos graníticos, altitude média de 550 metros e seleção de castas constituem condições de excelência para a produção dos espumantes Vértice.


Há tempos, numa conversa e por graça, contei quantas adegas já visitei. São cerca de cinquenta, sendo que algumas já bisei. Tenho conhecido produtores, enólogos, gestores de marketing mas também pessoas que fazem disso a sua atividade mas sem qualquer interesse pelo assunto. De muitas dessas pessoas ainda me recordo dos seus rostos e nomes. E das histórias que me contaram. Mas há duas que verdadeiramente me cativaram e que podira ficar horas a ouvi-los: o Pedro Araújo da Quinta do Ameal e Celso Pereira das Caves Transmontanas. Ambos têm uma visão muito bem definida do produto que representam e os seus discursos são limpos, sem demagogias nem excessos. Sabem o valor dos seus vinhos e onde querem estar. E isso transmite uma enorme confiança para quem escuta e consome.

Quinta do Portal

Vou todos os anos ao Douro e o mais fantástico é que continuo a sentir aquela emoção como se o estivesse a fazer pela primeira vez. Felizmente, tenho também conseguido conhecer lugares que mantêm a essência duriense e permitem uma genuína experiência do que é uma quinta no Douro. Este ano fui conhecer a Quinta do Portal.


É fácil entender porque é que as quintas junto do rio são as mais visitadas. Quem visita o Douro, por vezes uma única vez na vida, quer estar perto do rio, imaginar o que seriam os barcos rabelos carregados de pipas para Gaia e almoçar, pernoitar ou simplesmente terminar o dia com um copo de vinho do Porto num bonito miradouro criado para o efeito. Eu também tinha essa ilusão. Mas este ano decidi conhecer um outro Douro e adorei a experiência.

Arte chocalheira

Usados nas regiões de pastorícia, os chocalhos têm a sua maior expressão no Alentejo. Os Chocalhos Pardalinho continuam a produzir estes objetos identitários das Alcáçovas, classificados como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.


Quando em 2015 a UNESCO classificou a arte chocalheira, os chocalhos voltaram a estar na ordem do dia. Entrevistaram-se artesãos, recordou-se a urgência em passar a arte às gerações futuras e em não deixar morrer uma tradição com cerca de 2000 anos. Mas como tantos outros assuntos, acabou por esmorecer com o tempo.

Egídio Santos: o oleiro mais tradicional de São Pedro do Corval

Nascido e criado em São Pedro do Corval, Egídio Santos começou na adolescência a aprender a arte da família. Hoje é o único oleiro na aldeia que mantém a arte tradicional.


Já aqui partilhei que o meu avô era oleiro e que em casa dos meus pais existem muitas peças em barro. Foram pensadas  como utilitárias mas hoje são apenas decorativas e representam um legado da minha história familiar. Sinto, por isso, um carinho especial pela olaria e tenho procurado conhecer mais sobre sobre esta arte em Portugal.