Cortiçarte

O sobreiro é das espécies mais emblemáticas de Portugal, característico do alentejo e serras algarvias. É conhecido sobretudo pela produção de cortiça muito direcionada para a indústria da rolhas de vinho. Mas desta matéria prima pode-se obter muito mais.


O sobreiro é um elemento cosntante na paisagem alentejana. Vejo-os ao longe, um aqui, outro além, porque a Natureza é como uma obra de arte: necessita respirar. Do sobreiro obtêm-se sobretudo duas importantes matérias: a bolota, antigamente dada sobretudo aos animais e hoje transformada em produto gourmet, e a cortiça, que continua a ser direcionada para a produção de rolhas. No entanto, pelas suas características de elasticidade, impermeabilidade e isolante térmico, é também usada na indústria da construção, decoração e têxtil.

Adega 23

A Adega 23 nasceu num lugar inusitado, junto à A23. A região não é conhecida pela produção de vinho mas a vontade de Manuela Carmona e o auxílio do enólogo Rui Reguinga colocaram-na no panorama dos vinhos nacionais.


Quando ouvi falar da Adega 23 fiquei bastante curiosa. Sarnadas de Rodão, perto de Vila Vellha de Rodão, em plena Beira Interior, não é propriamente conhecida pela produção de vinhos. Quando passei na autoestrada a caminho de Castelo Branco, vi o pequeno paralelipípedo revestido a cortiça e faixa dourada, com a assinatura do atelier RUA. No regresso a Lisboa fiz um pequeno desvio para conhecer este projeto que nasceu em 2013 da vontade da oftalmologista Manuela Carmona em erguer uma adega e produzir vinho.


É Débora Mendes, enóloga residente, quem me recebe. A entrada da adega lembra um pouco uma galeria, já que também foi pensada para receber exposições. Aqui tudo é novo mas nos vários espaços há objetos carregados de história e identidade: a grande mesa oriunda de uma fábrica de tecidos onde ainda estão marcados os metros, garrafas e garrafões, medidas usadas nas tabernas, o mapa de Portugal igual ao da minha escola primária ou o primeiro quadro que Manuela Carmona usou quando começou a dar consultas e que foi transformado em candeeiro.



Alguns destes espaços interiores são ampliados por largas janelas com varandas adjacentes, proporcionando uma experiência complementar com vista para os 12 ha de vinha.



A primeira colheita ocorreu em 2017 e deu origem a três vinhos: um branco, um rosé e um tinto, todos presentes na prova realizada no final. Iniciou-se com o branco, feito a partir das castas Arinto, Verdelho, Viognier e Síria, tímido de cor mas frutado e com bastante acidez. Sendo o Viognier a segunda casta mais presente, é também um vinho com estrutura e untuosidade na boca.


Seguiu-se o rosé, feito a partir das castas Aragonês e Rufete, de cor bem presente, a fugir à atual tendência.
Terminou-se com o tinto que tinha sido colocado no mercado há um par de meses. É o vinho com mais estrutura, feito a partir das castas Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonez e Rufete, um verdadeiro super blend. Apesar de jovem, é um vinho robusto, aromático, com os taninos equilibrados e grande potencial de envelhecimento.


Como não é só de vinhas velhas que saem bons vinhos, Manuela Carmona decidiu que nos rótulos apareceria a menção de primeira colheira. Só isso é revelador da paixão, determinação e da crença neste projeto arrojado que tinha tudo para correr mal. Ou talvez não. Nos rótulos está também o primeiro esquiço que o arquiteto Luis Valente fez do que viria a ser a Adega 23.


Para já não se pensa em expansão. Apenas continuar a fazer os melhores vinhos possíveis neste terroir da Beira Interior.

Adega 23
Sarnadas de Ródão, Saída 20 da A23
6030-113 Vila Velha de Rodão
adega23.pt

Monsanto - a aldeia mais portuguesa de Portugal

Aldeia ímpar, Monsanto ostenta vários títulos: aldeia mais portuguesa de Portugal e Aldeia Histórica. Para mim é dos lugares mais incríveis e autênticos do nosso país.


A aldeia de Monsanto é dos lugares mais fascinantes que visitei nos últimos tempos. A manhã era de nevoeiro e a subida até à aldeia foi uma descoberta a cada metro percorrido. Chegar cedo tem sempre vantagem: poder ver a aldeia quase deserta. Junto ao primeiro miradouro avisto a estrada há minutos percorrida e as casas de pedra circundantes. Não soubesse da existência do castelo e nunca diria que lá me espera.

Idanha a Velha

A história de Idanha-a-Velha remonta ao século I a.C., quando era conhecida como Egitânia, uma cidade de passagem entre Braga e Mérida. Por aqui passaram vários povos ao longo dos séculos cujos vestígios ficaram para a posterioridade. Hoje é uma das mais bonitas aldeias históricas de Portugal.


Idanha-a-Velha é daqueles lugares surpreendentes. Esta pequena aldeia, hoje habitada por cerca de 50 pessoas, mantém vestígios que atestam a passagem de vários povos: romanos, suevos, visigodos e muçulmanos.

O regresso ao Convento do Espinheiro

Regressar onde já fui feliz é um dos meus motes de vida. Apesar do mundo estar repleto de locais fantásticos para conhecer, só alguns nos ficam gravados no coração. O Convento do Espinheiro é um deles.


2019 não começou bem. Infelizmente não escapei à epidemia da estação e estive doente durante várias semanas. Nestes momentos, o tempo parece longuíssimo e quando a febre baixava, pensava em memórias felizes para esquecer o mau estar. Via o meu aniversário aproximar-se e só queria recuperar para retribuir à minha família o amor e carinho que sempre me deram. Lembrava-me que há dois anos tudo tinha sido diferente e que ainda hoje recordo o fim de semana no Espinheiro. Era lá que queria regressar.

Vamos aprender a fazer uma marafona?

O nosso património será tanto maior quanto mais o soubermos valorizar. E só há uma forma de isso acontecer: promovendo o saber fazer, preservando e divulgando. Essa é uma das funções do Centro de Artes Tradicionais da Idanha-a-Nova.


Portugal tem um património incrível. Neste pequeno retângulo cabe um mundo de sabores, tradições, paisagens e identidades. A raia não é exceção. A sua localização, especificidade meteorológica, lendas e tradições levou a que ao longo dos tempos uma série de produtos surgissem para atestar a identidade e cultura de um povo. Mas o progresso e a evolução, num mundo altamente tecnológico, levou à perda de um saber ancestral. À medida que os artesãos iam deixando as suas artes, o conhecimento de técnicas milenares próprias de cada produto foi-se perdendo.

Adega Antinori nel Chianti Classico: um legado familiar

A ligação da família Antinori aos vinhos remonta há 600 anos atrás. Hoje, vinte e seis gerações depois, Piero Antinori, juntamente com as suas três filhas, ergueu uma obra arquitetónica monumental que é muito mais do que uma adega. Este será um legado familiar.


O vinho vive um momento feliz. Mais do que um produto alimentar, uma herança patrimonial ou uma identidade local, é uma imagem de lifestyle. Embelezaram-se rótulos, plantaram-se vinhas, modernizaram-se adegas e até se construíram algumas tendo como objetivo o enoturismo.