The Lords of the Manor: uma experiência genuína no coração dos Cotswolds

Na aldeia de Upper Slaughter, o hotel The Lords of the Manor oferece uma genuína experiência campestre, num ambiente bucólico e muito relaxante.



Talvez seja da idade mas há algo que não me faz perder muito tempo na escolha “daquele lugar especial”. Tenho aprendido a ter a sensibilidade de no meio de um manancial de candidatos, perceber qual me trará memórias inesquecíveis. Para ficar uns dias nos Cotswolds e sentir o melhor possível a essência deste ambiente campestre procurei uma casa com história. Uma vez mais acertei no The Lords of the Manor.
Conduzir nos Cotswolds poderia ser um verdadeiro ataque aos nervos. As estadas são estreitas, por vezes só passa um carro de cada vez e há um pormenor curioso: os antigos telefones nas cabines telefónicas à beira da estrada foram substituídos por desfibriladores. Eu acho que é para quem não é do Reino Unido e vem conduzir para cá recuperar do susto. Por outro lado, as pessoas conduzem com enorme civismo e cuidado, respeitando os limites de velocidade. Ter consciência disso permitiu-me, com as devidas precauções, desfrutar da paisagem a caminho do The Lords of the Manor. Um genuíno ambiente campestre, rodeado de campos agrícolas e de pastoreio de gado. Sempre que possível parávamos para ver os animais (-É a ovelha choné, não é mamã?).


O hotel fica localizado na pequena aldeia de Upper Slaughter, onde além de algumas casas, sobretudo de segunda habitação, e uma igreja, não existe mais nada. Felizmente.
Quando cruzo os portões de entrada e paro junto ao relógio de sol, rodeado de deliciosas alfazemas, o cenário é perfeito. Além da bonita e cuidada fachada do hotel, a imagem ao redor é desafogada, com um enorme relvado até ao lago e rodeada de flores e magestosas árvores.
A bagagem é prontamente colocada no hotel e o nosso carro estacionado. Nos próximos dias não o voltaremos a ver. Na recepção tudo também é tratado de forma célere. Os dados já tinham sido previamente enviados e apenas são confirmamos algumas informações relativas aos serviços do hotel e reservas para jantar.


E é defronte para a escadaria que o meu imaginário começa a funcionar. Seria impensável para mim ficar numa casa que não tivesse escadas ou alcatifa, algo que associo a uma identidade muito british. Os espaços de passagem estão decorados com mobiliário antigos, quadros e louças. Os acessos às várias suites são resguardadas por portas, conferindo maior privacidade e controlando o ruído. Ficamos na Bourne, no primeiro andar. À entrada fica a zona de estar, que foi rearranjada para colocar uma pequena cama para meu filho e para onde ele se atirou (literalmente) assim que chegou. À disposição tínhamos um conjunto de bebidas e biscoitos. A casa de banho foi uma enorme surpresa, cheia de luz natural é uma generosa banheira onde coubemos 3 num reconfortante banho de imersão. A minha cama era igualmente de boas dimensões e sobretudo muito confortável. Arrumei tudo rapidamente e separei a roupa que iria enviar para a lavandaria. Mais um dos serviços a elogiar no The Lords of the Manor.
Das melhores atividades que se podem fazer nos Cotswolds é caminhar. E dentro dos 8 hectares da propriedade existem vários percursos e espaços onde é possível relaxar. A primeira coisa que fiz foi conhecer os jardins. Quem não está hospedado no hotel pode fazer uma reserva prévia para uma visita guiada. Existem vários caminhos assinalados em redor do enorme relvado que passam pelos canteiros floridos, árvores, lago rodeado de tabugas e a ponte sobre o pequeno riacho. Neste ponto, defronte para a casa, é o melhor lugar para admirar a sua beleza e perceber as nuances. A parte mais antiga tem cerca de 400 anos, à qual se acrescentaram mais duas, a última em finais do século XX. 






Se achei os jardins na parte frontal bonitos, os da retaguarda são superiores em beleza e igualmente sossegados. Existem tantas as variedades de flores que seria impossível nomeá-las. Mas gostei em particular de ver que muitas destas árvores são de fruto e que os seus aromas são verdadeiras reminiscências para quem cresceu no campo. Existe também uma pequeno jardim de aromáticas cujas ervas são usadas pelo chef na sua cozinha.




O The Lords of the Manor tem dois restaurantes liderados por Charles Smith, distinguido recentemente como chef do ano no Cotswold Life Food & Drink Awards 2019.
Durante a minha estada, o Atrium, o restaurante de degustação do hotel, encantava-se encerrado e também não permite a entrada a crianças. Por isso, acabei por jantar todos os dias no The Dining Room, considerado um dos melhores restaurantes do Cotswolds. É mais casual mas igualmente muito elegante, com as suas cadeiras prateadas e vista para o jardim. 


Um dos chef's é italiano e por isso foi com enorme satisfação que vi no menú sugestões de outras paragens. Provei a burrata com pêssegos grelhados, bresaola e rúcula; ao risotto de cogumelos faltou cremosidade e adorei a mousse de chocolate, crème fraiche, sorbet de framboesa e nibs de cacau. Uma sobremesa rica mas equilibrada, com cremosidade, diversas texturas e crocância. Também provei o bacalhau com polvo e cassoulet de feijão que estava muito rico de sabor mas sem dúvida que o prato que se destaca é a bochecha de vitela cozinhada em vinho tinto com puré de batata trufada. A carne, de tão macia, desfazia-se na boca.




A excelente localização do The Lords of the Manor permite servir de base para conhecer os 4 B's (Bourton-on-the-Water, Bibury, Burford, Broadway) que são também dos lugares mais bonitos e turísticos dos Cotswolds. Ou então não pegar no carro e conhecer apenas o que está ao alcance duma agradável caminhada. Foi o que fiz e foi sem dúvida das melhores coisas. Cruzar os portões e visitar a igreja. Atravessar o cemitério e sair junto da antiga escola. Percorrer a ponte sobre o riacho, subir a rua e atravessar os campos de erva com as ovelhas ao nosso lado, sem se deixarem importunar. Regressar ao hotel, passar junto de mais campos verdejantes, estes com vacas e ovelhas e descer até Lower Slaughter. Visitar o antigo moinho, hoje museu, loja e casa de chá, admirar as bonitas fachadas com exímios jardins, ainda que pequenos. Almoçar numa esplanada com o som do riacho mesmo ao lado e fazer nova caminhada, desta vez para colher amoras das silvas e ver os cavalos. Não consigo pensar em dias mais perfeitos do que estes, passados inteiramente em família, num ambiente genuinamente campestre.






Regressávamos com o sol a pôr-se. O meu filho pedia para ver os desenhos animados (existe sinal de wifi na esplanada em frente ao hotel), enquanto nós desfrutavamos de um gin made in Cotswolds. Eu recordava estes dias e tentava imaginar que memórias ele iria guardar.
Na manhã da nossa partida viu-nos fechar as malas e começou a chorar.
-Mamã, eu não quero ir embora deste hotel.
Expliquei-lhe que tínhamos de continuar a nossa viagem e que haveria outros hotéis igualmente bonitos. Mas nenhum seria como este.
Quando descemos, a Patricia, de quem o meu filho gostava particularmente porque “falava a nossa língua“, tinha uma surpresa para ele. Nem coube em si de contente e acho que isso o confortou para o resto da viagem. Despedimo-nos do The Lords of the Manor onde há uns dias o tínhamos visto pela primeira vez, com a certeza de que estas memórias são das melhores que iremos recordar.


The Lords of the Manor
Upper Slaughter
Gloucestershire
GL54 2JD || Inglaterra
lordsofthemanor.com

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