O regresso ao Convento do Espinheiro

Regressar onde já fui feliz é um dos meus motes de vida. Apesar do mundo estar repleto de locais fantásticos para conhecer, só alguns nos ficam gravados no coração. O Convento do Espinheiro é um deles.


2019 não começou bem. Infelizmente não escapei à epidemia da estação e estive doente durante várias semanas. Nestes momentos, o tempo parece longuíssimo e quando a febre baixava, pensava em memórias felizes para esquecer o mau estar. Via o meu aniversário aproximar-se e só queria recuperar para retribuir à minha família o amor e carinho que sempre me deram. Lembrava-me que há dois anos tudo tinha sido diferente e que ainda hoje recordo o fim de semana no Espinheiro. Era lá que queria regressar.
O ambiente campestre começa logo a sentir-se assim que se entra na estrada de acesso ao hotel mas é quando saio do carro  e oiço os chocalhos do gado que se dá aquele clique.
Mas ao entrar no hotel constato que houve alterações: a receção mudou de lugar mas a simpatia com que sou recebida mantém-se. É bom recordar alguns rostos da minha estada anterior. Durante o percurso até ao quarto são-me dadas algumas indicações das actividades do hotel para os próximos dias. Desta vez fico na ala nova com vista para a horta e ajardinado. Infelizmente, o antibiótico não permitiu provar o espumante bruto Convento do Espinheiro que tinha no quarto mas o meu filho atirou-se de imediato aos chupa-chupas que a equipa de pastelaria confeciona para os mais pequenos.


Se na minha anterior estada achei que o tempo fui claramente insuficiente, desta vez fiquei mais dias para sentir o espaço com mais calma. Quando se viaja com crianças, o tempo tem uma outra duração e após o que passei apenas desejo que estes dias sejam tranquilos. Apesar da visita a algumas áreas deste hotel histórico classificado como Monumento Nacional se manter todas as tardes, opto por não a fazer e percorro os vários espaços de mão dada com o meu filho. Não sei se é por influência dos pais mas é naturalmente curioso e demonstra sempre um grande interesse nas nossas experiências de viagens. Comecei por lhe mostrar S. Jerónimo nos painéis de azulejos da igreja, levei-o ao antigo refeitório, espreitámos a cozinha que hoje é um restaurante italiano, mostrei-lhe as gárgulas e o catavento no claustro, expliquei-lhe para que serviam as ânforas, cheirámos o alecrinzeiro florido repleto de abelhas e assistimos ao pôr do sol no regresso do parque infantil.



Uma das experiências que mais apreciámos foi o workshop de chocolate com a chef de pastelaria do Convento do Espinheiro, Carla Parreira. Como chegamos antes da hora, conseguimos ficar mesmo em frente da grande mesa de mármore, sob a antiga chaminé. Durante aquele pequeno compasso de espera, o meu filho olhava incansavelmente para cima e acabei por o questionar.
-Se esta é a chaminé do hotel e não tem buraco, por onde é que o Pai Natal entra?
A chef, que certamente está acostumada a estas questões “pertinentes” dos mais novos, lá lhe explicou que há outra chaminé no hotel. O assunto ficou assim resolvido e pudemos então focar-nos no que realmente importa. Sabia algumas coisas acerca do chocolate mas estar perante uma mesa de trabalho e ver como se faz é completamente diferente. Sem nunca ser demasiado técnica mas ultrapassando o trivial, mostrou e deu a provar os vários tipos de chocolate, a manteiga de cacau, como o colocar à temperatura certa para o trabalhar, como rechear. Nesta última parte, teve a preciosa ajuda, além da Neuza, do meu filho e de outro menino. Claro que no fim todos provamos. Eu mantenho-me fiel aos sabores menos doces mas o de caramelo surpreendeu-me bastante.





Regresso à noite à antiga cozinha do convento, agora transformada em restaurante italiano, o Olive. Já na minha anterior estada tinha elogiado a facto de no restaurante haver alternativas à comida alentejana. É muito rica e saborosa mas no meu caso, após vários dias no Alentejo, começa a ser pesada no meu estômago. Por isso, e tendo em conta o número de mesas ocupadas, diria que o Olive é uma aposta ganha. O ambiente é muito tranquilo, com música ambiente, tons claros, mesas em madeira com tampos de mármore.


A ementa, apresentada numa prancheta, está dividida em várias opções. Enquanto decidia por onde começar, chegaram à mesa uns grissini acompanhados pelo azeite Convento do Espinheiro, queijo parmesão e azeitonas temperadas.
Seguiu-se uma focaccia com presunto ibérico de bolota. Foi a primeira vez que comi uma focaccia com uma massa tão fina e crocante. Seguiu-se um spaghetti carbonara com pancetta e guancialle, o que lhe enriquece logo de sabor.
Como era dia do meu aniversário, e sem que tivesse a contar, chegou à mesa um pequeno bolo. O meu filho chegou-se logo à frente e não se fez rogado a apagar as velas. Era tão bonito que até deu pena partir.



Os finais de dia era sempre passados entre a piscina e o jacuzzi, já que durante a tarde não é permitida a entrada de crianças. Como o hotel não fica no centro de Évora, achamos que seria melhor jantar por lá e regressámos o Olive. No dia anterior tinha visto passar umas pizzas com um ar delicioso e decidi provar. De vez em quando espreitava e lá via o pizzaiolo Sérgio Santos a fazer malabarismos com a massa. Enquanto jantava não pude deixar de fazer a analogia entre estas pizzas e as do Portarossa, no Porto, que são, a meu ver, das melhores de Portugal. Agora já têm concorrência mais a sul.


Na manhã da despedida, o meu filho pediu-me para ir brincar mais uma vez no parque e ao passar junto da piscina exterior, reparou que havia algumas pessoas a apanhar sol nas espreguiçadeiras.
-Mamã, hoje podemos ir a esta piscina?
-Não porque ainda é inverno e a água está muito fria. Mas quando for verão regressamos, pode ser?
Tenho-lhe dito que devemos sempre cumprir com as nossas promessas. Até breve, Espinheiro.


Convento do Espinheiro, a Luxury Collection Hotel & Spa
7002-502 Évora
www.conventodoespinheiro.com


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