Adega Antinori nel Chianti Classico: um legado familiar

A ligação da família Antinori aos vinhos remonta há 600 anos atrás. Hoje, vinte e seis gerações depois, Piero Antinori, juntamente com as suas três filhas, ergueu uma obra arquitetónica monumental que é muito mais do que uma adega. Este será um legado familiar.


O vinho vive um momento feliz. Mais do que um produto alimentar, uma herança patrimonial ou uma identidade local, é uma imagem de lifestyle. Embelezaram-se rótulos, plantaram-se vinhas, modernizaram-se adegas e até se construíram algumas tendo como objetivo o enoturismo.
Tenho ouvido histórias curiosas nas adegas que tenho vindo a conhecer: jovens que abandonam a profissão e anos de investimento em formação superior, adegas que surgem em locais improváveis, negócios de "família" só porque o avô fazia vinho para consumo próprio ou filhos que seguem enologia porque terão emprego garantido. Tudo pelo vinho. Mas há também o reverso da medalha, aqueles que têm uma longa história familiar, um património que tem atravessado séculos e cujo orgulho e alento de continuar se mantém nas novas gerações. Porque, além de ser um negócio, é um genuíno caso de amor.


A Primum Familiae Vini é uma associação internacional que cujos membros (doze no máximo e apenas por convite) visam proteger e promover a propriedade vínica familiar para as gerações futuras. Portugal está representado pela família Symington e a casa Antinori é uma das italianas. Esta família detém vinhas em várias regiões no país (Florença, Montepulciano, Cortona) mas também noutros locais no mundo, como o Chile, Estados Unidos, Malta ou Roménia. Mas foi na região do Chianti Classico, entre Florença e Siena, que o Marquês Piero Antinori, juntamente com as suas três filhas, quiseram deixar uma obra arrojada arquitetonicamente e que é muito mais do que uma adega.

O edifício é da autoria de Archea Associati e Hydea Engineering e foi liderado pelo arquiteto Marco Casamonti.

As indicações da família Antinori foram claras: o respeito pela terra e a sustentabilidade. Comecemos pela localização: ao longe, apenas se vê uma pequena fachada rodeada de vinhas, já que estamos perante uma adega subterrânea, não comprometendo a paisagem. Depois a escolha dos materiais é de origem local, como o carvalho (também usado nas barricas), o aço corten (muito presente no exterior, em especial na escadaria e que necessita de pouca manutenção), a terracota de Impruneta que reveste toda a cave (paredes e chão) e o vidro (que reduz o impacto ambiental).



Mas apesar da imagem exterior parecer minimalista, o edifício é gigantesco. Além de adega, é também um centro de receção de visitantes, uma loja, um auditório, um museu e um restaurante. Um mundo!


A marcação das visitas esgota muito tempo antes e vir sem agendamento prévio é perder tempo. O meu grupo é muito eclético, com pessoas sobretudo dos Estados Unidos mas também Tailândia e Coreia do Sul.

Este património iniciou-se em 1385 com Giovanni di Piero Antinori e atualmente vai na 26ª geração.

Pela primeira vez em seis século de história familiar, a empresa é gerida por uma mulher, Albiera Antinori, filha do Marquês Piero Antinori.
Entramos na zona de envelhecimento a 20 metros de profundidade. À minha volta dominam três coisas: terracota, carvalho húngaro e vinho. Existem também duas salas de vidro suspensas para degustação com uma vista soberba. A temperatura mantém-se constante a cerca de 15ºC sem necessidade de sistema adicional de refrigeração.


Aqui são produzidos três vinhos: o Villa Antinori Chianti Classico Reserva, o Pèppoli Chianti Classico e o Vinsanto. De acordo com as regras da região, têm de ter pelo menos 80% da casta Sangeovese.
Subimos ao exterior para conhecer a área da receção das uvas. Por norma a vindima começa em meados de Setembro até finais de Outubro mas a maturação das uvas é que determina.

A família Antinori também produz vinsanto, o vinho de sobremesa mais tradicional da Toscana.

Usado desde a Idade Média para tratar algumas doenças, é produzido a partir de uma seleção muito rigorosa de uvas brancas que são colocadas nos sótãos na região de Tignanello durante 3 meses. Tal como acontece com o vinagre balsâmico, não há qualquer controlo da temperatura. Depois são espremidas e o líquido colocado em "caratellos", pequenos barris por um período de 3 anos. O resultado é um vinho com cor dourada e doce servido no final da refeição com cantucci.



Regressamos ao espaço inicial para a prova de três vinhos. Iniciamos com um Mezzo Braccio, um vinho feito a partir da casta Riesling, indicada para regiões de altitude e temperaturas frias. É um vinho mineral com notas herbáceas bem presentes.



Seguiu-se um Brotosecco, um vinho produzido em Le Mortelle, que está na família desde 1999. Começou por ser uma quinta de produção de fruta mas hoje plantam-se também castas internacionais.
Terminou-se com um dos mais conhecidos vinhos da região, o Villa Antinori Chianti Classico Riserva. É produzido com 90% Sangiovese e 10% Cabernet Sauvignon e com dois anos de estágio. É um vinho com mais acidez e taninos mas menor intensidade de cor. Perfeito para guardar durante 5 anos.


Na loja podem encontrar-se os vinhos do portefólio da família, alguns famosos em todo o mundo. É o caso do Solaia, um vinho da região de Tignanello apenas produzido em anos excecionais. Começou por ser um blend de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc mas mais tarde foi adicionado 20% de Sangiovese.



Um vinho que tem recebido vários prémios e aclamações internacionais e que retrata a visão desta família: a alma, o respeito e identidade de uma região e de uma longa história familiar.

Cantina Antinori nel Chianti Classico
Via Cassia per Siena, 133 Loc. Bargino
50026 San Casciano Val di Pesa, Firenze |Itália

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