27 de junho de 2018

Quinta do Vallado

Este ano o mês de Junho foi ainda mais especial. Além dos santos populares e do verão, é também o mês em que celebro uma data muito importante. Passei o dia com quem está sempre presente na minha vida e no coração. O Douro foi o destino escolhido para passar o dia em família.

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Não houve rezas nem pedidos especiais, mas S. Pedro finalmente desligou a torneira e a meados de Junho pareceu que finalmente o verão vinha para ficar. O plano era simples: passar o dia juntos. Como a minha mãe me tinha falado que gostava de voltar a andar de comboio, comprei os bilhetes previamente e levei-os até à estação da Régua. À hora marcada, lá estava ele. O meu filho nunca tinha andado de comboio e foi uma enorme felicidade ver o seu ar de espanto perante a máquina. Durante 30 minutos, nós, que fazíamos aquele percurso pela primeira vez, ficámos rendidos à beleza do Douro.
Regressar ao Pinhão foi ainda mais emocionante. Descer do comboio rodeada de turistas e recordar as inúmeras vezes que já o visitei. Depois de almoçar num dos melhores restaurantes, terminei o dia numa adega que ainda não tinha tido oportunidade de conhecer: a Quinta do Vallado.
Éramos um grupo pequeno, o que é sempre bom para que a mensagem chegue a todos. A visita começa com uma contextualização da história da quinta, uma das mais antigas do Douro. Foi construída em 1716 e pertenceu a D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida por Ferreirinha. Os terrenos estiveram na família até 1987, altura em parte deles foram adquiridos por outros conhecidos produtores de vinho. No entanto, João Ferreira Álvares Ribeiro, Francisco Ferreira e Francisco Olazabal decidiram criar outra marca e assim nasceu a Quinta do Vallado. À medida que vamos avançando no terreno, percebo o quanto acentuado é.

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O meu filho, que já está acostumado a andar sobre paralelepípedos e em terrenos inclinados, adorou a experiência. Do outro lado do rio fica uma plantação de oliveiras, já que a Quinta do Vallado também tem produção de azeite.

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Se antes da expropriação se produzia vinho do Porto, hoje a Quinta do Vallado produz 70% de vinho tinto, 20% de vinho branco e rosé e só 10% de vinho do Porto. Dos 70 hectares, 50 estão ocupados por vinhas mais jovens e só 20 são vinhas velhas, com cerca de 100 anos de idade. São uma mistura de cerca de 40 castas, já que na altura não era hábito plantá-las por parcelas. Estas uvas são usadas para os tintos reservas e vinhos do Porto.
A nível de castas tintas produzem a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Toriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e Sousão. Nas brancas têm o Arinto, Viosinho, Gouveio, Rabigato, Códega e Moscatel Galego. A produção que começou com 30 mil garrafas já vai em 1 milhão.

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A moderna adega assemelha-se a um bloco de xisto que foi bem enquadrado na paisagem. No topo é a zona de recepção e selecção das uvas. Descemos até à cave da fermentação onde se encontram também os lagares onde é feito o Porto Vintage e o monocasta Sousão.

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Entrar na cave de envelhecimento é sempre o ponto alto em qualquer adega. Fico sempre curiosa como é que, perante condições que são semelhantes (temperatura, humidade e luminosidade controladas), cada arquitecto pensa no espaço. Aqui tem a forma de meia barrica e comtempla cerca de 2000 barricas de carvalho francês.
As caves de barricas de vinho do Porto não são tão apelativas visualmente mas daqui saem verdadeiros néctares.

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Eis que regressamos à sala de provas para o momento por que todos aguardávamos. E esta é das mais completas que já fiz, uma vez que contempla seis vinhos: um branco, três tintos e dois Portos.

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Iniciou-se com um Vallado branco 2017, muito fresco para o dia de calor que se fazia sentir, com alguma acidez, notas cítricas e aromas tropicais e bastante mineral.
Seguiu-se um Vallado Tinto 2016, feito a partir de Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Sousão.

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O Quinta do Vallado Touriga Nacional foi o vinho mais apreciado pelo grupo, a provar que não é só no Dão que a casta é rainha.
O Quinta do Vallado Reserva Field Blend 2015 é o resultado das cerca de 45 castas que constituem as vinhas velhas e é por isso um vinho com muita estrutura e encorpado.
Regressámos aos vinhos refrescados com um Quinta do Vallado Porto branco, um excelente aperitivo para inicio de refeição.
Terminou-se com chave de ouro com um Quinta do Vallado Porto Tawny 10 anos, também ele a revelar-se muito fresco.

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No final fui espreitar a loja. Não sabia que vinhos iam estar em prova mas já ia com a certeza do que iria trazer: um vintage do ano do nascimento do meu filho. Abracei o meu pai e disse-lhe:
–Daqui a 15 anos vamos bebê-lo em conjunto.
Olhámos um para outro e por momentos o sorriso esmoreceu. Este dia foi nosso e a memória irá ficar. Poderão haver mais Porto Vintages para celebrar mas este será sempre especial.

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Quinta do Vallado
Vilarinho dos Freires
5050-364 Peso da Régua
www.quintadovallado.com

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