28 de abril de 2018

Vale d'Orcia

Tinha uma espécie de ideia romântica da Toscana. Que quando lá fosse, iria alugar um carro e parar há medida que viajava muito devagar. Queria encontrar aqueles lugares especiais que me permitiriam desfrutar da paisagem e avistar ao longe pequenas povoações rodeadas de ciprestes. Encontrei tudo isso no Vale d’Orcia.

Cappella della Madonna di Vitaleta, Toscana, Itália

Como sempre delineei um plano dos locais a visitar. Tudo encadeado, com horas mais ou menos previstas de chegada e partida. Mas uma saída antecipada de Siena permitiu-me descobrir o Vale d’Orcia.
Já o fiz várias vezes em Espanha mas em Itália foi a única vez. Ir na estrada, avistar uma povoação e parar para almoçar. Foi assim que conheci San Quirico d’Orcia. Como não é muito turístico, as lojas fecham durante o almoço, ficando apenas as esplanadas mais compostas. Almocei na Piazza della Libertá, junto da Chiesa della Madonna di Vitaleta. Dei um passeio pelo Horti dei Leonini, um bom exemplo do que é um jardim italiano, com muitos parterres de buxo, estatuária e um ar tão fresco que sou muito bem num dia quente.

San Quirico d’Orcia, Horti dei Leonini, Toscana, Itália

Na Via Dante Alighieri há alguns lugares que me parecem interessantes e onde teria entrado se estivessem abertos. Melhor sorte tive na Collegiata dei Santi Quirico e Giulitta, que foi construída sobre uma antiga igreja do século VIII. Imperdível o quadro Madonna in trono fra i santi de Sano di Pietro. Desci até à estátua de Tazio Nuvolari, sentei-me e apreciei a vista desafogada para o Vale d’Orcia.

San Quirico d’Orcia, Collegiata dei Santi Quirico e Giulitta, Toscana, Itália

A arquitetura é muito semelhante, com as casas em tijolo, havendo algumas pintadas com tons fortes, como o vermelho, laranja e amarelo. As portadas são verdes ou castanhas e em geral o rés-de-chão é ocupado por estabelecimentos comerciais. A despedida fi-la na Chiesa di Santa Maria Assunta, em modo muito intimista, como foi San Quirico d’Orcia.
Mas o momento pelo qual aguardava há meses estava a aproximar-se. É assim um lugar icónico, como os há em tantos outros lugares, e respira simplicidade. A Cappella della Madonna di Vitaleta é incontornável para quem visita a Toscana. Começa a avistar-se ao longe e são muitos os que vão parando na berma da estrada à procura do lugar mais apropriado para a fotografar.

Paisagem toscana, Toscana, Itália

Cappella della Madonna di Vitaleta, Toscana, Itália

Mas ao contrário do que li, encontrá-la é extremamente simples: na estrada entre San Quirico d’Orcia e Pienza há uma placa com a indicação do caminho. O pior é a partir daqui: uma estrada em terra batida, muito calor e muito pó. Depois do estacionamento, é ainda necessário percorrer mais 500 metros a pé. E novamente o sol. E novamente o pó. Mas compensa. Um silêncio absoluto, uma imagem preciosa, uma memória feliz para o resto da vida.

Cappella della Madonna di Vitaleta, Toscana, Itália

Cappella della Madonna di Vitaleta, Toscana, Itália

O final da tarde foi passado em Pienza, um lugar encantador. Ruas estreitas e tranquilas, apesar de algum turismo. De gelado artesanal na mão, dirigi-me para o ponto onde todos querem estar ao pôr-do-sol: Via dell’Amore. É um miradouro para o Vale d’Orcia, onde, tal como em San Gimignano, se formam pequenos grupos para assistir à beleza da natureza.

Pienza, Via dell’Amore, Toscana, Itália

Pienza, Via dell’Amore, Toscana, Itália

A maioria das ruas são muito tranquilas, com vasos à porta e bicicletas. Aqui viaja-se em modo slow travel.

Ruas de Pienza, Pienza, Toscana, Itália

Ruas de Pienza, Pienza, Toscana, Itália

Ruas de Pienza, Pienza, Toscana, Itália

Na Piazza Pio II há um encontro de gigantes imperdíveis: a Catedral (com muita luz, tetos em abóbada com pinturas e vários retábulos), o Palazzo Piccolomini, o Palazzo Borgia e o poço, tão comum nestes vilarejos italianos. No Corso il Rossellino passeia-se com calma, espreitando as ofertas das várias lojas. A entrada das ferragens Piselli Leo só prova que artigos menos glamourosos podem fazer fachadas bem decoradas, só é necessário um pouco de bom gosto. La Bottega del Naturista vende o “Pecorino di Pienza”, um queijo local feito a partir de leite de ovelha. O aspeto pode desmotivar mas acreditem que vale a pena provar.
Antes de partir regresso ainda à Via dell’Amore para uma última vista panorâmica. A próxima paragem será em Montepulciano.

Pienza, Toscana, Itália

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