26 de fevereiro de 2018

Pisa

Desde pequena que oiço falar na torre de Pisa. Sempre achei curioso como se mantinha assim inclinada. No ano passado regressei a Itália, desta vez para explorar apenas a Toscana. Pisa foi uma excelente porta de entrada e não desiludiu.

Pisa, atrações de Pisa,  Campo dei Miracoli, Batistério de Pisa, a Catedral de Pisa, Torre de Pisa
Cheguei ao centro de Pisa num automóvel acabadinho de alugar, ainda a conhecer como reage. Na Piazza Daniele Manin, o número de barracas é assustador mas cruzando a Porta Santa Maria Pisa, há apenas peões. E foi perante o Campo dei Miracoli, ao ver o Batistério, a Catedral e a Torre de Pisa que fiz o meu ato de contrição.
Itália é um país fantástico, da Toscana nem imaginava o quanto me iria fazer feliz e Pisa parecia merecer a visita. Sim, havia gente, mais do que gostaria, mas o espaço também é grande e nem para comprar bilhetes, nem para entrar em nenhum dos lugares esperei 5 minutos que fossem. Talvez tenha tido sorte mas os lugares são muito a experiência de cada um. E aqui, perante uma página em branco, iria começar a escrever as minhas histórias.

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Se qualquer igreja na Itália merece a visita, o que dizer das catedrais? Em Pisa não é exceção. De fachada semelhante às restantes toscanas, o interior em estilo medieval românico é um pouco escuro, agravado pelo facto de se encontrar em obras. Nada que tirasse a beleza ao altar-mor, aos frescos de Riminaldi na cúpula, ao púlpito esculpido por Giovanni Pisano ou ao impressionante teto em caixotões.

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Em frente fica o Batistério, o primeiro onde entro (em Florença não consegui). A decoração do exterior contrasta com alguma singeleza do interior, com destaque para a estátua de São João Baptista, os vitrais e a possibilidade de subir ao segundo piso para uma visão geral.

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Quando estava a preparar a visita a Pisa, li pela primeira vez acerca do Camposanto ou cemitério monumental. E se já tinha feito o ato de contrição, aqui rendi-me. Nem todos o visitam (o que acaba por ser bom para quem procura alguma tranquilidade), mas para mim foi a cereja no topo do bolo. A expressão “silêncio sepulcral” aplica-se aqui na perfeição. Sombra e luz, vida e morte, memória e futuro, sagrado e profano, tantas dicotomias que me ocorriam à medida que percorria o espaço junto das arcadas. Ninguém eleva a voz, ninguém corre, ninguém fala ao telemóvel. Apenas se ouvem sussurros e um ou outro dispara da máquina fotográfica.

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Chego finalmente à Torre de Pisa onde há mais pessoas. Subir tem um custo de 18€, um pouco caro tendo em conta que é apenas uma torre inclinada.
Tinha como destino final Chianti, com passagem ainda por Lucca, mas não queria que Pisa se resumisse ao Campo dei Miracoli. Queria pelo menos conhecer alguma da arquitetura, passear nas ruas e chegar ao rio Arno. Como a fome já apertava, entrei no primeiro café. Erro crasso. Quem estava na conversa assim ficou e quando finalmente me deram o muffin que pedi, percebi que me iria custar 3€ e que tinha sido descongelado. Esta era a Pisa de que sempre tinha ouvido falar.
Segui pela Via Santa Maria incrédula como caí neste erro. Parecia que era a primeira vez que estava a sair de casa, que anos a viajar não me tinham ensinado nada.

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Respirei fundo e pensei que não era assim que queria recordar Pisa e comecei a elevar os olhos para as casas, a ver os pormenores arquitetónicos, a sentir as cores quentes das fachadas e a pensar, uma vez mais, que os lugares são as experiências de cada um. Tinha sido bom vir a Pisa.

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