4 de dezembro de 2017

A Cozinha da Clara

Quando soube da inauguração do restaurante A Cozinha da Clara fiquei curiosa. Conheço relativamente bem a restauração no Pinhão e questionei-me da sua necessidade. Estando aberta não apenas aos hóspedes da Quinta de La Rosa, o objectivo seria, certamente, atrair também passantes. Na minha última visita desfizeram-se as dúvidas.

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O Douro é das regiões vínicas mais extraordinárias do mundo e o Pinhão uma espécie de porta de entrada e saída. Dá-me uma enorme tristeza sempre que chego e vejo aquelas construções descaracterizadas, a ausência de identidade nas lojas e a falta de cortesia em alguns restaurantes, apenas interessados em grupos com menus feitos à medida do que se quer vender. Por isso, quando conheci A Cozinha da Clara pensei: como foi possível só surgir agora?
Comecemos pela localização: na Quinta de La Rosa, uma das mais emblemáticas do Douro, bem junto rio. Quando a porta do elevador se abre no -2, a primeira reação ao entrar foi “Tão alto e tão bonito.” Vidro, xisto e madeira são os materiais que se combinam e contrastam com a parede branca ao fundo onde surge também o nome.

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Com a carta é também servido um azeite extra virgem Quinta de La Rosa, de sabor muito pronunciado. Já conhecia outros azeites produzidos na região e este junta-se à minha lista de preferências (e aquisições). A carta felizmente não é extensa (interessa é fazer bem) mas como tudo parece tão bom, peço uma sugestão. Tentou-se perceber as minhas preferências e chegou-se a quatro opções.
Começo com uma terrina de leitão, cogumelos em duas texturas com crocante de batata doce. Confesso que tenho uma relação de amor-ódio com o leitão, já que o prazer em o comer é proporcional à indisposição que por vezes me causa. Os sabores estavam lá todos, a carne desfazia-se na boca e o creme de cogumelos é qualquer coisa de extraordinário.

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Avanço depois para a partilha de dois pratos: o tradicional cabrito assado com batata e grelos estava igualmente bom mas “A nossa interpretação do bacalhau à “Gomes de Sá” estava noutro nível. A começar pela apresentação, qualidade e ponto de sal do bacalhau e uma esmagada de batata com azeitonas que estava realmente saborosa. Ambos os pratos foram harmonizados com um La Rosa reserva tinto 2015.

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Finalizo com um bolo húmido de chocolate e frutos vermelhos acompanhado com um La Rosa Colheita 2008, um tawny que equilibrou muito bem a doçura da sobremesa.

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Todos os pratos foram explicados antes de ser servidos e houve durante todo o jantar um acompanhamento informal mas sempre profissional. O que mais gostei (além da comida, claro), foi de sentir que há ali uma equipa coesa que quer dar o melhor para que a nossa experiência seja excelente.
Despeço-me do Ricardo (amanhã também estarei cá ao pequeno-almoço - diz-me) e vou espreitar os objetos junto à saída. O quadro de Claire Bergqvist encontra-se ao fundo, juntamente com algumas fotografias de família. Sophia Bergqvist presta assim homenagem à sua avó e eu saio um bocadinho a sentir-me participar nesta memória de família.  Comida de conforto, num espaço tão elegante e ao mesmo tempo tão familiar: como é que ainda ninguém tinha pensado nisto?

A Cozinha da Clara
Quinta de la Rosa
5085-215 Pinhão
www.quintadelarosa.com

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