27 de novembro de 2017

Quinta de La Rosa

Nos últimos anos tenho aprimorado o gosto por aquilo a que os ingleses chamam de “cozy places”. A Quinta de La Rosa é um desses exemplos. Sempre que fazia a N222 lá estava ela, na margem direita do Douro, com a sua icónica vinha: o Vale do Inferno. No S. Martinho fui conhecê-la.

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Regressar ao Pinhão é sempre especial, já que foi aqui que fiz a primeira saída após o nascimento do meu filho. Desta vez (Sábado) atravessei a vila quase sem ver vivalma, sempre com aquela calma que gosto de ter quando volto onde já fui feliz. Ao cruzar os portões da Quinta de La Rosa não imaginava que iria acrescer tantas outras memórias a um baú já repleto.
Junto ao elevador que dá acesso ao restaurante A Cozinha da Clara fica o primeiro “miradouro”. Sento-me junto de um casal brasileiro, também recém chegado, e fazemos já as apresentações. Durante a minha estada, são vários os momentos que iremos partilhar.

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Sou recebida pela Sofia, que além de um sorriso, me oferece uma bebida de boas vindas. Até aqui nada de novo. Após a entrega dos documentos para os trâmites normais, vem sentar-se comigo e é aqui que tudo muda. Além de se apresentar (o que não é muito comum), apresenta também os restantes colegas (a Patrícia e o Eduardo) com quem irei mais tarde também interagir. Com um pequeno mapa, explica-me as localizações e horários assim como os percursos pedestres nas vinhas. Quando me acompanha ao quarto, passamos pela sala de estar, disponível para todos os hóspedes, onde existe, além de uma televisão, um pequeno bar em regime de self-service, com a folha honesta para pagamento posterior.
Espaço, luz e conforto são as primeiras impressões quando entro no meu Jack (todos os quartos têm nomes). Corro as cortinas e lá está ele, o Douro magnífico. Tenho a sorte de naquele momento passar um barco. As cores de Outono são impressionantes.

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A visita à quinta começa com uma breve explicação do que é o Vale do Inferno. O nome ter-lho-ão dado os trabalhadores que durante as vindimas se tinham de confrontar, além do terreno fortemente acidentado, com as altas temperaturas (acima dos 40ºC) e com cestos carregados que chegavam aos 70 kg’s. As vinhas já foram replantadas mas dado as condições do terreno, não é possível usar mecanização. O trabalho continua por isso a ser muito difícil.
Prosseguimos para a adega. Quando se abre a porta, sente-se logo aquele cheiro tão característico. Ao fundo encontram-se os lagares de granito onde na altura das vindimas se faz a tradicional pisa a pé e onde os hóspedes podem também participar. A Quinta de La Rosa produz  anualmente cerca de 250 mil garrafas, em que 70% são vinhos de mesa e o restante vinho do Porto.
As caves de envelhecimento foram remodeladas em 2012. Para os vinhos de mesa usam-se barricas de carvalho francês apenas durante seis vezes. Na parte lateral, que data de 1900, envelhecem os vinhos do Porto. O ruby encontra-se nos barris maiores e o tawny nos restantes. Na família Bergqvist há a tradição de iniciar uma barrica a cada nascimento apenas abertas em ocasiões especiais.

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À conversa com o casal brasileiro (do que já viram e irão ainda visitar) regresso à loja onde me aguarda a prova de vinhos.  Inicio com um La Rosa Branco 2016, feito a partir das castas Códega do Larinho, Rabigato, Viosinho e Gouveio. Aroma muito frutado e pouca acidez, ideal para pratos de peixe.
Seguiu-se um Quinta de La Rosa Tinto 2016, um vinho ainda jovem, taninos muito acentuados e notas a frutos silvestres.
Chega finalmente o momento pelo qual mais aguardo: os Portos. Nunca tinha bebido um tawny tão jovem (com cerca de quatro anos) que tanto pode ser servido como aperitivo ou digestivo.
Termino com chave de ouro: um Quinta de La Rosa Finest Reserve, feito com o stock das melhores uvas. Um ruby que convém consumir com celeridade dada a rápida oxidação. Deve ser servido como digestivo e acompanha bem sobremesas fortes.

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De mapa na mão, prossigo à descoberta da Quinta de La Rosa. A topografia do terreno obrigou a que os vários edifícios estejam dispersos em vários níveis, o que acaba por tornar o percurso mais desafiante. Seguindo as setas laranja avisto a placa que me indica o Vale do Inferno. Não é necessária grande imaginação para perceber o quão difícil será trabalhar este solo onde o xisto abunda. Na estrada de terra batida passa um trator mas nos socalcos o espaço é exíguo. Vou subindo lentamente, já que a vertigem é proporcional à beleza.

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Quando a porta do elevador se abre no -2, a primeira reação ao entrar no restaurante A Cozinha da Clara foi “Tão alto e tão bonito.” De facto, o pé direito é enorme e o contraste da madeira, do chão preto e da parede branca resulta muito bem. Comida de conforto numa noite que rapidamente se tornou fria foi das melhores recordações da Quinta de La Rosa.
Onde quer que vá, abrir a janela e espreitar o dia é das primeiras coisas que faço após acordar. E no Douro é sempre uma experiência imperdível. Há alguma neblina mas ao fundo percebe-se que o dia será de sol.

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Em poucos minutos, a sala que conheci no dia anterior com as cores da noite, está agora inundada de luz. O Ricardo, sempre com enorme sentido de descrição, cumprimenta todos os hóspedes e assegura que a mesa está sempre impecável.

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Desta vez sem mapa, regresso ao Vale do Inferno. Sinto a luz do sol atravessar por entre a ramagem das oliveiras, o intenso do vermelho das videiras, o espelhar da lousa e o cheiro a pó. O baú das memórias felizes está mais cheio. Os lugares são as pessoas que o fazem e aqui tudo se conjuga para que se viva uma experiência muito familiar.

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Quinta de La Rosa
5085-215 Pinhão
www.quintadelarosa.com

2 comentários:

  1. e um local fantastico. excelente texto que retrata muito bem o que e a Quinta de La Rosa :)

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    1. Olá Rui: ainda bem que gostou. A Quinta de La Rosa é das mais emblemáticas do Douro e proporciona uma experiência muito familiar.

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