27 de setembro de 2017

Talim e uma vodka antes de dormir

Ao contrário de todas as minhas viagens, a ida a Talim, capital da Estónia, foi diferente. Não houve um planeamento prévio nem levei um mapa com os principais pontos a visitar. Isso torna-a ainda mais especial.

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Durante o jantar num restaurante em Helsínquia,  abordaram-me sobre a minha nacionalidade. Há distância de uma mesa, a língua parecia-lhes russa mas a fisionomia não se enquadrava.
–Sou de Portugal.
Acabámos por tomar uma bebida e após algumas sugestões de lugares para conhecer na cidade, sugeriram-me visitar Talim.
–É bastante simples: basta apanhar o ferry no porto e em menos de 2 horas estás lá. Dá perfeitamente para ir e vir no mesmo dia.
E assim fiz. Acordei cedo e apanhei o primeiro ferry às 8 horas da Viking Line. As condições são excelentes, não só em termos de conforto como de espaço. Ao chegar ao porto de Talim basta seguir as indicações para a parte medieval ou simplesmente seguir o fluxo de pessoas.
Como era Domingo, havia pouca gente na rua mas encontro um pequeno grupo junto ao portão costeiro, o mais importante. Por aqui passava todo o tráfego de mercadorias entre o porto e o mercado na praça da cidade.

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A agulha da igreja de São Olavo, Oleviste em estoniano, é visível de vários pontos e é para lá que um grande número de pessoas se dirige. A entrada é paga e inclui a possibilidade de subir a uma varanda que existe no topo da torre. A escada em caracol é estreita, o que dificulta quando me cruzo com os que descem mas a vista é compensadora. É a melhor forma de ter uma visão panorâmica. Apercebo-me de que a cidade velha é toda muralhada, fazendo-me lembrar Carcassonne.

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No piso térreo decorria uma cerimónia religiosa, o que não me permitiu circular livremente. Para os que ficam mais afastados da frente, existem vários écrans espalhados para que possam assistir.
Agora que já tenho uma visão panorâmica da cidade e que percebo o quanto pequena é, parto à descoberta das suas ruas.
Após o Portão da Perna Longa que dá entrada para a colina de Toompea, segue-se uma ligeira subida até ao topo, onde me cruzo com um batalhão do exército que descia.  Encontro diversas embaixadas e consolados, como a Embaixada da Alemanha mesmo em frente da Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky, assim como o Parlamento.
A catedral é Património da Humanidade, construída entre 1894 a 1900, quando a Estónia fazia parte da Rússia. Apesar de estar na rota turística, é sobretudo um local de culto, onde os estonianos vêm rezar e prestar devoção aos santos. Ainda na colina de Toompea percorro alguns miradouros terminando na catedral de Santa Maria.

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Volto a descer a colina até ao coração de Talim, a praça central. Esta foi a única imagem que tinha visto na internet, com edifícios antigos coloridos, a Câmara Municipal e muitos restaurantes. Sala de visitas da cidade, local de espetáculos e celebrações e onde se realiza o mercado de Natal com a sua gigantesca árvore decorada.

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É por aqui que almoço, num restaurante diferente, verdadeiramente medieval: o Olde Hansa. Sobre as mesas corridas de madeira repousam velas que iluminam o espaço que se percebe ser antigo. Mas como está bom tempo, fico-me pela esplanada, aproveitando também a vista. Do menú só fazem parte sugestões medievais, por isso esqueçam coisas básicas como os refrigerantes, mas também a batata e o arroz. Escolhi o “Humalyan lamb dish” e para beber foi-me sugerida uma cerveja medieval com sabores a ervas, servida numa caneca de barro “gigante”. A apresentação é um pouco tosca mas como tenho ouvido dizer de chef's, o que importa é o sabor e sobre isso não há nada a apontar. No final ainda pude conhecer a sua loja de produtos medievais, onde estão à venda utensílios de madeira, artigos em vidro e as canecas de barro.

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A esta hora, as ruas de Talim estão bem diferentes do início da manhã, com muitos turistas. Ao  fugir das artérias principais descubro a “passagem de santa Catarina”, onde existem várias lojas de artesãos e um pequeno mercado de artigos de malha.

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Alguns metros mais abaixo encontro a entrada principal na parte velha da cidade, os portões “Viru”. Percebe-se que as torres foram recuperadas mas vale a pena sair e pensar como seria todo este espaço na época medieval.  Com a cidade praticamente vista, é hora de continuar a percorrer as ruas e descobrindo lojas e fachadas.

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À chegada não me apercebi mas agora, com mais tempo, reparo na quantidade de lojas de bebidas existentes. Enquanto espero pelo barco de regresso a Helsínquia, uma senhora já com alguma idade explica-me porque vêm os finlandeses com tanta regularidade a Talim.
–Aqui os preços das bebidas são muito inferiores por isso é usual virmos ao fim de semana com uma mala. Aproveitamos para dar um passeio pela cidade e no final do dia levamos vinho e vodka. Especialmente nos dias mais frios, gosto de beber um copo antes de me deitar.

1 comentário:

  1. Fiquei com muita vontade de conhecer Talim! Que boa ideia a de teres seguido as sugestões, sem muitos planos e sem pressas :) Parece que sabe melhor, não é? Fiquei mesmo seduzida pela atmosfera medieval da cidade!!!!

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