6 de maio de 2017

Florença: arte em estado puro

Pelo menos uma vez na vida devia ser possível contemplar Florença. Não com o simples olhar com que encaramos apressadamente o nosso dia a dia mas com os olhos da alma, aqueles que nos permitem sentir a beleza da criação.

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Chego a Florença de comboio. Junto à estação há um quiosque onde pouso a mala e olho para as “gordas”, correção, para as magras, já que nas capas das revistas de moda a silhueta é obrigatória. Não foi há muitas horas que visitei o Quadrilátero de Ouro em Milão e ainda me sinto embrenhada no espírito do glamour.
Despacho a bagagem rapidamente e vou procurar um lugar onde possa fazer um almoço ambulatório. Quero aproveitar cada minuto. A escadaria da Catedral de Santa Maria dei Fiore é uma espécie de sala de visita de Florença e é aqui que saboreio a primeira fatia de pizza, rodeada de um poliglotismo que não permanece muito tempo no mesmo lugar. Estou no coração de Florença, e apesar das filas que vejo na catedral, Torre de Giotto e batistério não me deixo perturbar.

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Santa Maria Novella é a primeira igreja que visito. Há uns anos ouvi o seguinte comentário:
– Em Itália até as igrejas de vão de escada são fabulosas.
E honras lhe sejam feitas se não tem razão. Em todas as que entro sinto um brilho inigualável na luz das pinturas, na singularidade do traço, na harmonia das áreas. É quase pecado profanar este espaço sagrado, de objetiva na mão, pescoço esticado, deslumbre no rosto e espanto na alma.

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A Basílica de Santa Cruz é o panteão de alguns dos mais ilustres homens das artes de Itália, como Miguel Ângelo, Maquiavel ou Galileu. Os belíssimos trabalhos fúnebres perpetuam na memória a grandeza das suas obras inigualáveis e imortais.

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Na Piazza della Signoria, junto do Palácio Velho, um dos símbolos de Florença, a réplica da estátua de David permite a quem não quer pagar bilhete para ver o original, ficar com uma ideia aproximada do que é a arte em estado puro. Mas não é a mesma coisa. A Galeria da Academia de Belas Artes de Florença poderia apenas albergar a obra prima de Miguel Ângelo e mereceria cada minuto e cêntimo empregue. É das maiores criações do Homem. Circulo à sua volta, vezes e vezes sem conta, sem nunca me cansar. David simboliza a beleza do corpo, da juventude, retratada no pormenor da gota de suor, das veias, dos músculos.

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Deixo para as primeiras horas da manhã a Capela dos Médici, o lugar onde quase sinto silêncio. Tudo em Florença é arrebatador mas aqui há um lado mais privado, intimista, familiar. O trabalho em mármore, as estátuas, os altares, a cúpula, as alegorias, tudo junto faz deste um dos melhores espaços para contemplar a beleza da criação do homem. 

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O Jardim de Boboli oferece uma vista sobre Florença. Fica aquém do que julgava encontrar mas não me arrependo da visita. Gosto sobretudo da sensação de liberdade, rodeada por espaços verdes, obras de arte e museus. Em frente ao Palácio Pitti usufrui-se do cimento como se de relva se tratasse. Está sombra e sabe bem.

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O excesso de comerciantes, sobretudo ourives e joalheiros, não me permite admirar a Ponte Vecchio como merece. Procuro outro ponto, mais ao longe, junto das águas do Arno que correm serenamente.

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Despeço-me na Galeria Ufizzi. Quando circulo pelas várias salas, quando vejo todos aqueles quadros emblemáticos que apenas conhecia dos livros, penso como Florença é um excesso para quem ama a beleza, a arte, a capacidade de transformar o comum em imortal.
 
Informações práticas:
Como viajei de comboio em Itália, procurei sempre hotéis perto das  estações. Em Florença fiquei no Hotel Cosimo de' Medici, muito confortável, com um bom serviço  e excelente pequeno almoço. Foi aqui que me aconselharam a Trattoria Guelfa, fora do circuito turístico e onde comi o melhor esparguete da minha vida. 
Durante os três dias que estive em Florença apenas usei transporte para chegar ao Jardim de Boboli que fica um pouco mais afastado. De resto, percorri esta cidade fabulosa sempre a pé.

2 comentários:

  1. Que bom regressar a Florença com estas palavras e imagens! Parabéns, excelente artigo ;)

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    1. Olá Ana: muito obrigada. Já há algum tempo que queria partilhar esta minha experiência em Florença que é um lugar tão especial. Acho que poderia regressar muitas vezes e sinto que seria sempre como se de uma primeira vez se tratasse.

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