11 de abril de 2016

Passeio pela baixa Porto

Sabores tradicionais, peças de autor e galerias de arte no seu estado mais puro é o que proponho neste passeio pela baixa do Porto e Quarteirão das Artes.

Passeio pela baixa Porto
Não há melhor forma de iniciar uma tarde à descoberta de recantos no Porto do que um almoço. Li boas críticas ao restaurante Comme Ça, na Rua José Falcão, bem pertinho da Miguel Bombarda. A lousa à entrada exibe pratos cosmopolitas a preços muito tentadores, o que por si desperta logo a vontade de entrar. As paredes estão repletas de objetos ligados à arte de cozinhar, como rolos da massa, panelas, pratos, balanças e picadoras de carne, em número excessivo e sem aquele toque que faz a diferença. O atendimento é simpático assim como o serviço, mesmo com os diversos pedidos trocados. Não há mãos a medir: às 13h30 a casa está cheia de pessoas que trabalham nas imediações e fazem deste o seu local diário de almoço. Escolho um bife de frango à parmegiana. A carne estava boa, ainda que com pouco sal mas o molho de tomate mais parecia ketchup. No entanto, pagar 4,5€ por um prato, salada, água e café parece-me excelente, mesmo com pequenas contrariedades.

Restaurante Comme Ça
Entro nas Galerias Lumière recentemente recuperadas, com lojas e vários espaços de restauração. Há um murmurinho geral, próprio da vitalidade de um projeto vencedor que a esta hora também tem casa cheia.
A Leitaria Quinta do Paço é famosa pelos seus éclaires reconhecidos como o Doce do Porto. Assim que entro colo-me ao vidro, indecisa perante tantas sugestões tentadoras. Lá me decido por um de chocolate negro e outro de frutos silvestres. Só posso dizer que desde a textura da massa, ao chantilly artesanal, ao crocante do chocolate e à doçura dos frutos, estava tão bom que pensei em comer um terceiro… mas resisti.

Leitaria Quinta do Paço
Leitaria Quinta do Paço
Prossigo para o Centro Comercial Bombarda dedicado às peças de autor, criativas e inovadoras. Começo por entrar na Index Livraria com muitos livros, brinquedos diferentes, alguns feitos a partir de materiais reciclados e um atendimento excelente. Na Águas Furtadas o espaço não chega para expôr todos os artigos. É necessário baixar e procurar debaixo das mesas. É lá que encontro um conjunto de bowling em pano, que certamente me vai trazer muitos momentos felizes no futuro. A Loja do Museu de Estuque apresenta  peças decorativas e aplicações em estuque e a Ecolã aposta nos produtos à base de lã natural.
Demoro um pouco mais na Casa Diogo – biscoitaria & mercearia fina. João Paulo Diogo, bisneto do fundador da Fábrica de Biscoitos Diogo, é quem me conta a história desta empresa familiar cujo registo remonta a 1900. Os primeiros bolos confecionados foram as argolinhas e os valonguenses mas hoje conta com mais de 30 tipos de biscoitos, feitos à mão em forno de lenha, sem corantes nem conservantes. Apesar dos biscoitos serem a prata da casa, aqui vende-se também produtos transmontanos, como a amêndoa de Moncorvo, as alcaparras e azeitonas de Valpaços ou o pão de Mirandela. Fica prometido o regresso a Valongo para conhecer a sua família e fazer a Rota Histórica das Padarias e Biscoitarias.

Biscoitos Diogo, Centro Comercial Bombarda, Casa Diogo – biscoitaria & mercearia fina
No Quarteirão das Artes, o ponto forte são as galerias, sobretudo de antiguidades e arte contemporânea. Ao passar junto da Cruzes Canhoto não fico indiferente às peças expostas no interior. Tiago Coen abre-me a porta e convida-me a entrar. É numa conversa emotiva de quem está aqui por paixão que me explica este conceito inovador, dedicado à arte bruta, primitiva e popular. Começa por fazer uma visita guiada à exposição “O Senhor Cerqueira & The Artbreakers”, uma parceria com a Cercica mas mostra-me também outras peças que refletem o universo de alguns artistas nacionais auto-didactas que criam figuras imaginárias, diabólicas e fascinantes. O “Diabo” de Mistérios Filho, o “Sarrônco” de António Ramalho, “Adão e Eva” de Joaquim Paiva, o “Casal de Diabos” de Júlia Côta ou os animais de Júlia Ramalho podem ir além da racionalidade mas ninguém lhes fica indiferente. Refletem uma arte autêntica, intemporal e transversal a todos os povos.

Cruzes Canhoto, Quarteirão das Artes
Cruzes Canhoto, Quarteirão das Artes
Com a noite já a cair, prossigo à descoberta de outros lugares carismáticos no Quarteirão das Artes. Entro em algumas lojas vintage e de decoração. A Rota do Chá, um espaço de inspiração oriental, é o local perfeito para terminar o dia.


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