29 de julho de 2015

Aldeias do Vale da Dordonha

Na Dordonha é imperativo ter os sentidos alerta. O cheiro do feno, o chilrear dos pássaros, o degustar dos produtos gastronómicos ou os châteaux que surgem entre o verde dos campos são motivos para descobrir algumas das aldeias mais bonitas de França.

La Roque-Gageac
Em França há uma rota para visitar Les Plus Beaux Villages de France. Quando organizo a minha viagem pela Dordonha coloco-as como uma das prioridades mas rapidamente percebo que "les plus" é apenas uma expressão. À medida que vou conhecendo os vários locais, descubro pequenos lugarejos cheios de encanto e identidade. Percorrer a Dordonha é ser invadida por memórias que me recordam a infância feliz num ambiente campestre, onde se sente a natureza. Sinto um vínculo afectivo forte ao ver os rios, as pontes, os campos de feno e os fardos de erva.  

A primeira imagem que me impressiona é a caminho da gruta de Padirac. A vontade de parar já vem há alguns quilómetros mas quando avisto uma pequena povoação tenho mesmo de encostar. Pode parecer singela e desinteressante mas remete-me para um quadro que vi no Louvre. São necessárias apenas quatro cores: o azul do céu, o laranja dos telhados pontiagudos, o amarelo da pedra e o verde dos campos para criar uma paleta cromática de grande simplicidade mas enorme beleza. Afinal, estes são dos melhores momentos da vida.

Paisagem rual Francesa
Sigo para o que começou por ser um local de peregrinação religiosa e hoje é das principais atrações de França. O caminho da cruz a pé até ao château não é longo mas difícil. A vista do miradouro é a recompensa merecida para quem não se deixa vencer. Aqui tenho a verdadeira noção da vertigem que é Rocamadour, do verde que a envolve, da estrada sinuosa que fiz para aqui chegar. É uma paisagem de grande serenidade e contemplação.

Rocamadour
No dia em que visito uma quinta de produção de gansos e patos também conheço algumas aldeias. Creysse não tem muito que ver mas está cuidada. Já a Martel dedico algum tempo. Além das torres pontiagudas, há o centro usado para eventos onde estão expostos alguns objetos de trabalho de outros tempos. Mas o melhor é um recanto onde é o posto de turismo local.

Martel
Antes do regresso a casa vejo o pôr do sol a partir de Turenne. A paisagem envolvente é marcada pelo verde mas não me canso de a contemplar. É bom sentir apenas esta beleza, ausente do ruído dos carros e da agitação das cidades.

Turenne
Até chegar a La Roque-Gageac faço pequenas paragens. Não é que a distância seja grande mas a estrada com muitas curvas acaba por ser cansativa e obriga a  descansar. Em Carsac há uma feira com produtos locais. Na banca dos licores o vendedor tenta captar a minha atenção tentando-me a provar um pouco de cada. Explico-lhe que tenho de conduzir e não bebo mais do que dois. Mais à frente há enchidos de porco, veado, burro e javali. E claro, as especiarias, os queijos e o foie gras não faltam.

Carsac
Monfort foi uma agradável surpresa. Em geral, as casas feitas de pedra amarela são pequenas mas há algumas que se destacam. Em comum têm o facto de estarem bem cuidadas, com pequenos pormenores: vasos de flores, uma esplanada, uma janela ou até a caixa do correio. Tal como na aldeia anterior, ao fim de semana também é dia de mercado. Junto às muralhas há uma pequena feira de objetos em segunda mão, perfeita para quem procura artigos cheios de caráter e histórias.

Monfort
Em La Roque-Gageac faço um passeio de barco numa réplica dos gabares, barcos que faziam o transporte de madeira e alimentos e que hoje são a grande atração. Isto permite-me uma perspectiva diferente da aldeia: admirar a beleza estática de pedras com histórias que remontam à Idade Média e Renascimento.

La Roque
À medida que navego nas águas calmas do Dordogne avisto o Château de Castelnaud e os jardins de Marqueyssac. O dia termina de forma perfeita, num ponto alto, de frente para o rio. Vejo os telhados cor de tijolo já gasto, o amarelo da pedra a brilhar como ouro e as margens do rio pintalgadas de famílias a apanhar sol. As aldeias do Vale da Dordonha tinham-me conquistado por completo.

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