11 de junho de 2015

Recordando Palmira

A cerca de 200 quilómetros de Damasco, as ruínas da antiga cidade de Palmira estão classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.

Arco do Triunfo em Palmira

Nas últimas semanas, principalmente à hora de jantar quando vejo o telejornal, tenho recordado a minha viagem à Síria. Já passaram alguns anos mas os últimos acontecimentos neste país têm-me levado a pensar que além da tragédia humanitária e do grande número de refugiados, existe um riquíssimo património que infelizmente não pode escapar à guerra.

Na altura, apesar da Síria viver uma ditadura de características monárquicas, liderada por Bashar al-Assad, era um país pacífico e seguro. Em Damasco, e ao contrário do que acontece no Cairo, não me abordavam para comprar todo o género de coisas e não tinha que regatear os preços. Tal como em Tunes, senti que era um lugar “quase” europeu.

Cheguei às ruínas de Palmira após uma viagem de 2h30 de carro. O recinto abrange uma área de cerca seis quilómetros quadrados e necessitaria de um dia para ter uma ideia da sua grandiosidade. A minha visita durou apenas quatro horas.

Vista das ruínas de Palmira

Iniciei pelo templo de Bel, o maior e importante edifício religioso. De seguida passei pelo arco do triunfo que dá acesso à colunata. Noutros tempos existiram diversas lojas e edifícios públicos e hoje ainda é possível ver os sistemas de canalização existentes.

Templo de Bel; Palmira

Colunata Palmira

Um pouco mais à frente encontrei o teatro romano, testemunho da importância cultural que Palmira teve na antiguidade. Apesar de já ter visitado muitos outros em diversos países, apesar de pequeno é seguramente um dos mais bonitos.

Teatro romano; Palmira

Deixei a zona central e dirige-me para fora das antigas muralhas onde se encontram os túmulos. Existem dois tipos: os torre e os subterrâneos. Entro na torre de Elahbel com quatro pisos. Em cada um existem grandes prateleiras para colocar os corpos, seladas com uma placa de pedra decorada com um relevo do falecido. O interior dos túmulos subterrâneos é semelhante mas o acesso faz-se por uma rampa ou escadaria. Visitei um dos melhores, o hipogeu dos três irmãos, que deve o seu nome por nele terem sido encontrados três sarcófagos de três irmãos.

Túmulos em Palmira

Hoje é com profunda tristeza que assisto ao risco iminente a que as ruínas da antiga cidade de Palmira estão sujeitas. Só espero que jiadistas do autoproclamado Estado Islâmico não transformem a maior atração turística da Síria numa mera memória.

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