29 de abril de 2015

Os jardins suspensos de Marqueyssac

No alto de uma falésia calcária, os jardins de Marqueyssac são um miradouro natural para o rio Dordonha. Com um toque romântico, são dos mais visitados de todo o Périgord.  

Jardins suspensos de Marqueyssac

Talvez seja por influência da “Viagem a Itália” de Goethe mas sempre que tenho a possibilidade de uma vista panorâmica, não perco a oportunidade. Após o passeio em La Roque-Gageac, segui até ao alto dos jardins suspensos de Marqueyssac.

Este é mais um dos lugares que visito com a minha amiga Tânia, o que lhe dá uma memória completamente diferente. Seguimos vagarosamente pelo caminho de brita, já que a vista privilegiada para Beynac-et-Cazenac e Castelnaud-la-Chapelle se impõe.

A vista sobre Beynac-et-Cazenac; Jardins suspensos de Marqueyssac

A bilheteira, que também funciona como loja, está repleta de artigos que apetecem comprar. Como ambas gostamos de cozinhar, vamos logo para a secção de gastronomia. Ela ainda tira umas fotos à socapa mas eu optei apenas por comer com os olhos. Na hora de comprar os bilhetes pensamos em pagar juntas e aí somos surpreendidas por uma voz em língua portuguesa. Já em Sarlat-la-Caneda me tinham dito que estava na capital dos tugas e de facto há sempre um quando menos de espera.

Quando entro nos jardins suspensos de Marqueyssac procuro logo o primeiro miradouro para avistar La Roque-Gageac. Além do sol a incidir sobre as casas, das réplica dos gabares no rio Dordonha, a paisagem retrata um ambiente campestre e transporta-me para as salas dos museus com os quadros de pintura francesa. Vejo uma farta vegetação muito verde, os campos estão ceifados e restam os fardos de palha que irão alimentar os animais.

Jardins suspensos de Marqueyssac

Apesar de haver um trajeto definido, sigo sem grande orientação. O que pretendo é admirar a paisagem e descobrir pequenos recantos. Mas isto para a Tânia não basta. Esconde-se atrás do buxo e prega-me sustos, sobe os degraus bem íngremes da casa na árvore e fotografa incansavelmente a portada de madeira que se parece abrir para para um lugar secreto.

Jardins suspensos de Marqueyssac

O calor é excessivo para a época e procuro um lugar fresco para me sentar. Felizmente houve o bom gosto de disfarçar na paisagem as máquinas de bebidas. Claro que a Tânia não me dá qualquer oportunidade de levar o meu plano adiante. Vejo-a conspirar de mapa aberto e diz-me que a cascata é já ali em frente.

–Vá, bebe um pouco de água e vais ver que não te arrependes. – incita de sorriso maroto de orelha a orelha.

Lá sigo vagarosa atrás dela, por entre trilhos de terra batida e o cheiro da natureza que cresce em estado puro. A cascata tem pouco interesse mas a Tânia está feliz como uma criança que se deixa maravilhar a cada descoberta.

Já a fazer o trajeto inverso, vejo chegar um pequeno comboio. De repente, os seis quilómetros de caminhos sinuosos diminuem drasticamente e o regresso faz-se em poucos minutos. Para junto ao salão de chá, mesmo de frente para uma banca de gelados. Que bem que soube aquele sorvete de lavanda.

Jardins suspensos de Marqueyssac

Apesar de nos jardins existirem cerca de 150.000 pés de buxo, os mais bonitos surgem a partir daqui. Com várias formas geométricas e dimensão, sempre aparados manualmente, são o ex-libris do sítio.

Jardins suspensos de Marqueyssac

Ainda espreitei o château mas confesso que não lhe achei particular interesse. Beynac-et-Cazenac está a poucos quilómetros de distância e é lá a minha próxima paragem. Volto a descer vagarosamente o caminho de brita, satisfeita por contrariar o cansaço e aceitar as sugestões, mesmo que isso implique andar sem rumo. Os jardins suspensos de Marqueyssac tinham entrado para as minhas memórias felizes.

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