3 de fevereiro de 2015

Olhar Rocamadour e recordar Tobias Verhaecht


Rocamadour começou por ser um local de peregrinação religiosa. Hoje é das principais atrações de França.


Rocamadour vista do miradouro de L'Hospitalet

Há momentos em que a memória me prega partidas. Crio associações que me recordam que tudo o que vejo se transforma em conhecimento. Exemplos de pequenos investimentos que retornam em momentos de grande felicidade.


No miradouro de L'Hospitalet, com Rocamadour diante de mim, fixada na rocha, recordei o quadro “Paisagem Alpina” de Tobias Verhaecht. Neste fim de tarde, o Sol já não a iluminava mas a sua beleza estava imaculada. Que lugar único. Que privilégio estar ali.

Desci a estrada acidentada e apanhei o comboio que me levou ao coração de Rocamadour, uma das principais atrações de França. Começou por ser um local de peregrinação religiosa e hoje atrai também pela sua construção vertical na rocha. Em pouco tempo eu iria perceber o verdadeiro significado de “vertical”.

Cruzo uma das portas fortificadas – a Porte de Salmon – e inicio o percurso pela única via existente. Não sei se foi sorte ou azar visitar Rocamadour a esta hora. Por um lado, permitiu-me circular sem atropelos mas por outro faltou-me perceber o pulsar da aldeia. Há alguns pontos de restauração e muitas lojas de artesanato e produtos alimentares (foie gras, licores e vinhos).

Rua de la Couronnerie

Não tarda é pôr do sol mas o calor ainda não deu tréguas. Com quase 40ºC, opto pelo elevador para subir até ao santuário. Composto por várias capelas, a mais importante é a dedicada a Notre Dame, onde se encontra a Virgem Negra. A partir das 18h30, quando o turismo abranda, há concertos de órgão. A basílica e a capela de São João Batista já estão encerradas.

Santuário Rocamadour
Faço o caminho da cruz a pé até ao château. Não é longo mas difícil. Penso que o meu esforço para alcançar o topo em nada se compara à fé e esperança que moveu milhares de peregrinos desde a Idade Média. Olho para trás mas não desisto. À entrada há uma zona de descanso, onde recupero forças. Ao meu lado, um grupo de portugueses conversa animadamente sobre o passeio da tarde, sem pressas, até porque em casa sobrou polvo à lagareiro do almoço e por isso estão descansados com o jantar. Não entendem por que me rio sozinha.

O caminho da cruz em Rocamadour

A vista do miradouro é a recompensa mais do que merecida. Aqui tenho a verdadeira noção da vertigem que é Rocamadour, do verde que a envolve, da estrada sinuosa que fiz para aqui chegar. É uma paisagem de grande serenidade e contemplação.

Château em Rocamadour

A vertigem de Rocamadour

A paisagem envolvente de Rocamadour

Regresso à  Rua de la Couronnerie pela grande escadaria, uma descida rápida e segura. As lojas fecharam e ainda é cedo para os restaurantes abrirem para o jantar. Rocamadour é agora um lugar deserto.

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