20 de janeiro de 2015

Gruta de Padirac: andar de gôndola no interior da Terra


Descoberta em 1889 por Edouard-Alfred Martel, a gruta de Padirac é dos locais mais visitados em França.


Quando perguntei à minha amiga Tânia o que podia visitar perto de Sarlat-la-Caneda, não hesitou em dizer-me: “A gruta de Padirac. Já lá fui três vezes e adorei!” Com uma resposta tão pronta, aceitei a sugestão e antes de terminar o dia com a deslumbrante imagem de Rocamadour, desci ao coração da Terra.

Calculei que fosse um sítio turístico. São vários os parques de estacionamento para automóveis e autocarros mas proibidos a caravanas. As grandes placas à chegada revelam um pouco do que irei ver.


Junto à grande cratera há uma zona de descanso… ou de espera para os que se assustam e desistem perante uma profundidade que ronda os 100 metros. Não sei bem em que grupo me insiro. Os quase 40ºC motivam-me a procurar o fresco mas o medo do desconhecido cola-me os pés ao chão.


Como noutros lugares que recebem grandes grupos, a organização é boa: visitantes individuais entram à parte. Adquiro o bilhete e dirijo-me para o elevador mas antes aconselham-me ir à casa de banho: “É que a visita pode ser demorada”.

Há duas possibilidades de descida: ou nos elevadores (três no total) ou a pé. Na hora da escolha lembrem-se que são 75 metros, sempre com água a pingar, apesar das escadas terem cobertura.


Eu não gosto de complicar, por isso optei pelo elevador. Quando saí do segundo, senti um choque térmico: a diferença de temperatura é acentuada. Aqui há um pequeno ponto de paragem para apreciar a altitude. De repente, a abertura que de cima parecia imensa é agora minúscula.


Quando chego ao fundo, inicio o percurso por uma escadaria escura que dá acesso à caverna. A partir daqui, as fotos são proibidas. É diferente do que imaginava: percorro um corredor junto a uma linha de água que parece não ter fim. Nas paredes rochosas há informação sobre a gruta e ao longo do percurso começo a ver alguns bancos. Demorei trinta minutos na fila até chegar ao embarcadouro e entrar na gôndola. Não sei como é nos outros dias mas à minha frente há vários grupos escolares.


Navego nas águas calmas e frescas com algum receio, fruto do constante abanar propositado do gondoleiro, numa tentativa de criar um ambiente divertido. Durante a viagem vai dando algumas informações, sempre em francês. Quando saímos, um guia espera-nos. Conduz-nos por passagens estreitas e escadarias íngremes. Tudo está organizado de modo a não nos cruzarmos com nenhum grupo, para permitir uma melhor circulação.

Quando Edouard-Alfred Martel viu estas salas há mais de 100 anos afirmou que ali começava a verdadeira descoberta. Tinha razão. Vinte e três quilómetros de rio subterrâneo (apenas dois e meio visitável), cascatas naturais que confluem em lagos, formações rochosas espetaculares, água a deslizar pelas paredes macias, um suceder de salas que se elevam a dezenas de metros e jogos de luz que ampliam esta enorme beleza natural.

Regresso feliz por ter vencido o medo, mesmo sabendo que a gôndola irá voltar a abanar. Desperto deste imaginário com o flash de uma máquina. À saída, sou convidada a pagar 9€ por uma foto que recorda a minha descida à gruta de Padirac.

É bom voltar a ver a luz do Sol e o azul do céu. Deixo os 12ºC e volto aos 40ºC. A sede obriga-me a procurar o café (onde o bilhete de entrada dá desconto) e constato que uma água que no supermercado custa 0,30€ aqui custa 3€. Já se sabe que estes lugares são mesmo assim.

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