15 de outubro de 2014

Igrejas da Baixa de Lisboa


São necessários os dedos de duas mãos para contar as igrejas na Baixa de Lisboa. Foi com o objetivo de as conhecer que percorri uma das zonas mais cosmopolitas da capital.

Como a descer todos os santos ajudam, iniciei o meu roteiro na Igreja de São Roque, um dos ex-libris do testemunho jesuíta em Portugal. É imperdível a capela de S. João Batista, construída à imagem da antiga patriarcal e decorada com colunas em lápis lazúli, mármore de Carrara e mosaicos. A sacristia é um pequeno tesouro pictórico, toda revestida com pinturas com cenas da vida de S. Francisco Xavier, da Paixão de Cristo e da vida de Santo Inácio de Loyola.

Capela de S. João Batista; Igreja de São Roque

A Igreja da Nossa Senhora da Encarnação e a Igreja de Nossa Senhora do Loreto encontravam-se fechadas, por isso desci até à Basílica dos Mártires, mas pelo facto de estar a decorrer a uma celebração, fiquei pela entrada.
Continuo até à Igreja de São Nicolau, bem no coração da Baixa. É quase hora da missa, por isso apresso-me. Em bom estado de conservação, destaca-se o teto da autoria de Pedro Alexandrino, com pinturas referentes às Virtudes e vida de São Nicolau. Aproveito para espreitar a sacristia, com um opulento frontal de relicário em talha dourada.

Igreja de São Nicolau
Igreja de São Nicolau
É impossível não parar junto do portal manuelino na Igreja da Conceição Velha, antiga entrada lateral da Igreja da Misericórdia, que aqui se encontrava antes do terramoto de 1755. Representa a Virgem da Misericórdia de manto aberto, sob o qual se ajoelham várias figuras, como D. Manuel, D. Leonor e o papa Leão X.
Para além da igreja, havia também dois recolhimentos para órfãos e o Hospital de Santa Ana, destinado a receber mulheres nobres com doenças incuráveis. Em 1534, a sede da Santa Casa da Misericórdia passou da Capela da Terra Solta, na Sé de Lisboa, para aqui e só no século XVIII se estabeleceu em definitivo em São Roque. No interior é de destacar a estátua de Nossa Senhora do Restelo ou Virgem dos Navegantes, oriunda da Capela de Belém.

Portal Manuelino da Igreja da Conceição Velha

Percorro a Rua da Madalena em direção à Igreja de São Domingos, que impressiona pelo seu interior queimado durante um incêndio em 1959.

Igreja de São Domingos

Igreja de São Domingos

Mas nas Portas de Santo Antão descubro um pedaço de França em pleno coração de Lisboa. A fachada da Igreja de São Luís dos Franceses, apesar de discreta, distingue-se das restantes. Sobre a porta de entrada, dois anjos em baixo relevo seguram as armas dos Bourbons. Entrando, vejo os três altares encomendados por Luís XV em mármore de Carrara: o da direita, dedicado a Nossa Senhora do Porto Seguro, o altar-mor possui uma imponente cruz e candelabros em prata, e o da esquerda, dedicado a São Ivo. Peças valiosas ornamentam as paredes, como é o caso da estátua de Joana D'Arc ou do quadro de Caravaggio.

Igreja de São Luís dos Franceses

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