7 de outubro de 2014

Igreja e Museu de São Roque


De fachada sóbria mas interior opulento, a igreja de São Roque é um dos ex-libris do testemunho jesuíta em Portugal.

Não sei ao certo quantas vezes já a visitei mas a cada vez que regresso à igreja de São Roque o espanto repete-se. Sobre a antiga ermida construída para receber a relíquia de São Roque, a Companhia de Jesus ergueu a Igreja e Casa Professa dos Jesuítas. Ainda que o início da sua construção seja na segunda metade do século XVI, a decoração foi sendo gradual, estendendo-se até ao século XIX. Apesar de ter resistido quase intacta ao terramoto de 1755, foram necessárias obras de beneficiação.

Igreja de São Roque

Das oito capelas laterais, a de S. João Batista destaca-se. Construída à imagem da antiga patriarcal, está decorada com colunas em lápis lazúli, mármore de Carrara, mosaicos e a representação da esfera armilar. As pinturas do altar-mor vão sendo trocadas consoante o calendário litúrgico. Dois altares das relíquias ladeiam a capela-mor. O teto é da autoria de Francisco Venegas e de Amaro do Vale  e é o único teto maneirista pintado que sobreviveu ao terramoto. Grande parte da iluminação natural provém do conjunto de janelões na parte superior, intercalados com pinturas da autoria de Domingos da Cunha, que retratam episódios da vida de Santo Inácio de Loyola. O órgão de tubos, construído no século XVIII, foi transferido para esta igreja em 1844.

Igreja de São Roque

A sacristia é um pequeno tesouro pictórico, toda revestida com pinturas com cenas da vida de S. Francisco Xavier (como as viagens à Índia, Japão e China), a Paixão de Cristo e da vida de Santo Inácio de Loyola. O teto está decorado com símbolos marianos, como a lua, o sol e a estrela da manhã. Ao centro, IHS é a abreviatura para "Jesus Salvador dos Homens".

Sacristia da Igreja de São Roque

No espaço contíguo à igreja fica o Museu de São Roque cuja visita é obrigatória. A coleção encontra-se em dois pisos, organizada em cinco núcleos: Ermida de São Roque, Companhia de Jesus, Arte Oriental, Tesouro da Capela de São João Batista e Misericórdia de Lisboa.
O relicário de São João de Brito, oferecido por D. Pedro II à Companhia de Jesus é uma peça de grande minúcia e beleza e o quadro “Casamento de Santo Aleixo”, de Garcia Fernandes, durante séculos considerado como a representação do casamento de D. Manuel I com D. Leonor são duas obras de que gostei.
No entanto, o núcleo do tesouro da capela de São João Baptista  é o mais opulento e absolutamente imperdível. Neste conjunto de peças, encomendado por D. João V aos arquitetos italianos Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi, destacam-se a paramentaria, o frontão de altar e os dois tocheiros que são peças únicas.

Museu de São Roque

Até ao início do século XX, a extração da lotaria era feita numa das salas do museu. Quando as bolas saiam das grandes tômbolas, ia-se à janela e anunciava-se os números. Cá fora, formava-se um grupo de pessoas que esperava ouvir a sua sorte mudar. No Largo Trindade Coelho a estátua do cauteleiro perpetua essa memória.

Igreja e Museu de São Roque
Largo Trindade Coelho
1200-470 Lisboa

4 comentários:

  1. Não conhecia estou a ver que vou ter que pôr na mina lista porque é realmente extraordinária.

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  2. Olá Marta: tanto a igreja como o museu valem uma visita demorada. Estou certa que vai gostar!

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  3. é uma igreja que passa despercebida a quem lhe passa à porta, mas por dentro é das mais bonitas de Lisboa!! :)

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  4. Olá Tânia: é verdade. Tanto a igreja como o Museu de São Roque estão entre os melhores de Lisboa.

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