23 de junho de 2014

À descoberta de Segóvia


Declarada como Património Mundial da Humanidade, Segóvia é uma cidade que se descobre por entre ruas em tons pastel. O Alcázar  eleva ao expoente máximo a beleza da sua arquitetura.


Quando atravesso o Arco da Fuencisla e chego a Segóvia, a primeira imagem que retenho é o Alcázar. Paro junto ao Santuário de Nossa Senhora de Fuencisla, num pequeno parque arborizado, com mesas para piquenique, quiosque e área de manutenção física. O local é excelente para quem procura descansar e apanhar um bom ângulo para a foto postal do ex-libris da cidade.


Como ainda é cedo, não vou de imediato para o centro. Aproveito para conhecer o que há na zona, sempre com o olhar a fugir para o cimo do rochedo.

Passeio um pouco junto ao rio Eresma, onde várias pessoas praticam exercício enquanto respiram o ar purificado pelo vasto conjunto de vegetação. Subo até ao Convento das Carmelitas Descalças, que apesar do seu aspeto simples, alberga um importante mausoléu. Na nave principal, do lado direito, pode ver-se no chão o local original onde estava San Juan de la Cruz mas avançando até à capela lateral encontro o seu imponente túmulo em mármore e bronze.

Passo pela Igreja de Vera Cruz que apesar de encerrada, merece uma visita pela sua construção com doze lados. Junto ao cruzeiro, é mais um bom local para ver o Alcazar, assim como do Alcazar é um excelente lugar para uma fotografia desta igreja.


Inicio então a subida até ao coração de Segóvia. Há vários carros de polícia estacionados e muito controle de velocidade: não há possibilidade de paragens nem pressas. Quando chego à rotunda junto ao aqueduto, sigo para a Av. Padre Claret e estaciono no parque subterrâneo. Comparado com outras cidades espanholas onde já estive, achei-o bem iluminado, espaçoso e com circulação de ar. É uma boa opção para quem pretende passar o dia na cidade ou até mesmo pernoitar.

Transpondo os arcos e chegando à praça, é obrigatório parar. O aqueduto de Segóvia é um dos símbolos da cidade e obra incontornável deixada pelos romanos. Os 167 arcos atingem aqui a sua maior altitude. Subindo ao terraço sobre o posto de turismo consigo uma boa perspectiva da sua extensão.

Sigo pela Rua Cervantes em direção à Praça Maior. O centro de Segóvia não é grande mas nunca imaginei que tivesse tanto turismo. São vários os grupos, sempre em passo acelerado, para que os guias não percam o controle. A tendência é que as pessoas façam algumas paragens, seduzidas pelas dezenas de lojas e ementas de restaurantes estrategicamente colocadas à entrada.

Vou reparando na arquitetura das casas, pintadas de amarelo torrado, salmão ou rosa, as janelas protegidas com esteiras verdes, presas nas varandas de ferro forjado. No inicio da Rua Juan Bravo, mais uma paragem junto à Casa dos Bicos: a imagem do casario com os seus telhados é muito homogénea mas ao fundo, o escuro das montanhas destoa.


Na Praça de San Martín, a igreja está fechada mas junto à estátua de Juan Bravo e da Torre de Lozoya é o local de encontro de grupos de jovens que acabam por passar aqui as tardes, entre a escadaria e a esplanada.


Chego à Praça Maior, bem no coração de Segóvia e local constante de passagem. No edifício do Ayuntamiento, entre duas torres pontiagudas, o relógio marca 15h30. Nas várias esplanadas ainda há pessoas a almoçar. As crianças correm umas atrás das outras, subindo as escadas do coreto ao centro. Talvez por o céu estar nublado, há quem relaxe nos bancos, vendo o movimento de locais e turistas.


Na Confeitaria El Alcazar vendem-se alguns doces típicos. Os mais conhecidos serão as gemas de Segóvia mas há tantos outros a descobrir: o borracho de canela, a coca, o ponche e as sultanas segovianas ou as segovianitas de amêndoa. Os nomes atestam a origem.

Mesmo ao lado, a Catedral com toda a sua imponência. A construção iniciou-se no século XVI e chama à atenção pelos pináculos que rodeiam a cúpula. Nas laterais das três naves existem várias capelas ricamente decoradas. Destaque também para os órgãos, o cadeiral, as estátuas, os tetos e o claustro.


Deixo passar os vários grupos de turistas que se dirigem para o Alcazar e espreito algumas lojas. Na rua Marqués del Arco vende-se sobretudo artesanato e em algumas casas há peças de autor. Em geral abundam os objetos de cestaria, barro e pequenas estátuas.

Lojas de artesanato de Segóvia

Por ruas estreitas e desertas prossigo até à Porta de San Andrés, também conhecida por Arco do Socorro. Com o Centro de Interpretação das Muralhas fechado não é possível subir para uma vista panorâmica.


Sempre com os pináculos da Catedral presentes, perco-me pela Judiaria, entre ruas, pátios e restaurantes. A arquitetura está presente a cada virar de esquina. Basta elevar o olhar e descobrir os pormenores das varandas trabalhadas, das esculturas de pedra nas paredes, dos candeeiros verdes e das gárgulas que nos espreitam.


Na Avenida Fernández Ladreda há um pulsar mais jovem, mais comercial e mais aberto. Ainda assim, há locais curiosos a descobrir. O fim de tarde foi passado numa esplanada entre segovianos. O Alcázar ficará para a manhã seguinte.



3 comentários:

  1. Fiquei com vontade de conhecer Segóvia :) Aos poucos vou completando o "meu" mapa de Espanha. Fotos muito sugestivas!

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  2. Fiquei com muita vontade de conhecer esta cidade espanhola :) Aos poucos, vou completando o “meu” mapa de Espanha. As fotos são muito convidativas…

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  3. Bom dia Ana: Segóvia é uma cidade onde sabe bem percorrer as ruas e descobrir pormenores. Fico à espera das suas partilhas!

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