21 de outubro de 2013

Vestígios romanos em Portugal: as Ruínas de Conímbriga

A 15 Km’s de Coimbra localiza-se um dos melhores testemunhos da romanização em Portugal: as Ruínas de Conímbriga. Estão classificadas como Monumento Nacional.

Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

As Ruínas de Conímbriga são daqueles locais obrigatórios a visitar para qualquer estudante da região. Durante o nosso tempo de escola, também aqui viemos, mais do que uma vez. Agora, ao fim de tantos anos, regressamos para uma visita ao ex-libris da testemunho da romanização em Portugal.
No parque de estacionamento há alguns autocarros. É sinal de que a História continua a repetir-se. Vemos as primeiras muralhas que serviam apenas para delimitar os contornos da cidade. Deixamos o Museu Monográfico para o fim. No controle do bilhetes, é-nos indicado o melhor percurso e tomamos atenção a algumas dicas e pormenores importantes.
À nossa frente está a razão que levou a que Conímbriga tivesse deixado de ser um mero castro, para atingir as dimensões que teve: a estrada romana. Esta cidade era atravessada por uma importante via, que ligava Olisípo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga).
Do lado esquerdo ficam algumas lojas e casas, onde se destacam a da cruz suástica e dos esqueletos, ambas residências privadas de famílias abastadas. Basta termos em atenção a estrutura, dimensão e decoração das várias salas, com os seus painéis de mosaicos. A cruz suástica está associada ao sol, propiciador de boa sorte. Para a descobrir, basta contar 6 do lado esquerdo.

Casa da cruz suástica e casa dos esqueletos; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

As termas da muralha serviam de apoio a esta zona residencial e eram utilizadas por homens e mulheres. Transpomos a muralha Baixo-Imperial, onde ainda se vêm os buracos feitos para extração de pedra usada para outras construções.
Ouvimos a corrente do rio de  Mouros no fundo da ravina. Aqui é o melhor local para se sentir como seria há muitos séculos atrás: envolto por um cenário tipicamente mediterrânico, estamos no espaço público da cidade. As grandes termas do sul ficam mesmo em frente e seriam um complexo de espaços. Para além das tradicionais termas, contemplavam também a palaestra, uma zona dedicada ao desporto. A rede de condutas e escoamento da água ainda é bem visível.

Grandes termas do sul; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

O espaço ocupado pelo forum foi reconstruído, permitindo ter-se a ideia da sua dimensão, assim como o templo dedicado ao culto imperial. Aqui era o centro da cidade, onde estavam concentradas várias atividades: religiosa, política, jurídica e comercial.

Forum; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

A Casa de Cantaber é a maior de Conímbriga e da Península Ibérica. Num local privilegiado da cidade, aqui morava o “alcaide”, controlando as entradas e saídas. Num tempo em que a Palavra era sinónimo de Honra, Cantaber negociou com os Suevos a conquista da cidade, entregando a mulher e filhas como moeda de troca. Esta família era de tal modo importante que há registos da sua participação nos concílios de Braga e Toledo.

Casa de Cantaber; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

Chegamos ao ex-libris das Ruínas de Conímbriga: a Casa dos Repuxos, com os seus belíssimos mosaicos, representando cenas da vida diária e mitológicas. No nosso tempo de escola, havia sempre um senhor que ligava os repuxos de água quando chegamos a esta parte, mas hoje, colocando uma moeda de 0,50€ é possível assistir a alguns segundos.

Casa dos Repuxos; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

Casa dos Repuxos; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

Dirigimo-nos para o Museu Monográfico de Conímbriga, criado em 1962, onde estão alguns dos objetos encontrados nas escavações das ruínas: moedas, armas, lamparinas, materiais de construção e outros usados na atividade agrícola. A maquete do forum reconstitui o que outrora foi o coração desta cidade.

Museu Monográfico de Conímbriga; Ruínas de Conímbriga; Vestígios romanos em Portugal; romanização em Portugal

Passaram mais de 20 anos desde a nossa última visita e felizmente pudemos constatar que as Ruínas de Conímbriga não estão paradas no tempo. Foram adquiridos mais terrenos que continuam a ser escavados. Quem sabe se da próxima vez já seja possível visitar o Coliseu. Durante as 2h30 que foram necessárias para percorrer todo o recinto e museu, encontramos várias grupos de jovens em visitas de estudo. Afinal, esta é a  melhor forma de compreender os vestígios deixados pelo Império Romano.

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