24 de outubro de 2013

Palácio Real de Riofrío


Considerado o mais italiano de todos os palácios reais espanhóis, o Palácio Real de Riofrío distingue-se dos restantes por albergar o Museu de Caça.


Palácio Real de Riofrío; Reales Sitios de Espana


Quando se vai de Segóvia para o Palácio Real da Granja encontra-se um placa à direita que indica Palácio Real de Riofrío. A verdade é que não tínhamos pensado visitá-lo por o considerarmos inferior relativamente aos outros sítios reais. Decidimos mudar de planos e não nos arrependemos.

Retas sem fim, campos verdejantes de sobreiros e arbustos, envoltos pelas montanhas onde a neve ainda se vê. Cegonhas, cavalos, potros e gado bravo habitam pacificamente paisagens  de perder de vista, onde o silêncio apenas é quebrado pela passagem esporádica de um automóvel. Não é necessário a sinalização obrigar a abrandar a velocidade: a imagem é um deleite bucólico, sem pressas.

Palácio Real de Riofrío; Reales Sitios de Espana

Apenas paramos ocasionalmente para cristalizar momentos. O facto de nunca vermos ninguém leva-nos a pensar que estamos enganados mas não, é mesmo assim. Ao fim de alguns km’s encontramos o primeiro portão para reserva. Há 3 séculos atrás, talvez por aqui entrassem figures ilustres da coroa espanhola mas nós teremos de procurar a outra entrada. Encontramo-la no final de uma longa reta. Espreitam-nos pela câmara de vigilância. Informam-nos que passar estas portas tem um custo: podemos escolher apenas visitar o Palácio Real de Riofrio, fazer uma visita conjunta com o Palácio Real da Granja ou apenas entrar na reserva. Os bilhetes serão adquiridas no palácio e têm de ser guardadas até atravessarmos novamente estas portas como comprovativo de pagamento.

São mais de 600 hectares de reserva onde o rei Filipe V caçava  e o atual Palácio Real de Riofrio  não era mais do que um pavilhão de apoio. Com a morte do rei, Isabel de Farnesio transforma-o num sitio real, ficando a obra a cargo de vários arquitetos. É um edifício com 3 andares, quadrado, com 84m de largura e 24m de altura.

Palácio Real de Riofrío; Reales Sitios de Espana

Todas as visitas são guiadas e em nenhum palácio real é possível fotografar o interior. Na capela, de forma elíptica, colocou-se a primeira pedra e conserva ainda o chão original de mármore. Atravessamos o pátio e entramos na escadaria, no lado oposto.

Palácio Real de Riofrío; Reales Sitios de Espana

As paredes têm o cunho bem definido de Isabel de Farnesio: todos os quadros, e são alguns, com a flor de liz pintada no canto, pertenceram-lhe. Apesar das obras no palácio terem decorrido entre 1752 e 1759, percebemos que nunca foram concluídas: a tijoleira no chão mantem-se coberta por esteiras. Só quando os tetos fossem pintados é que o chão definitivo seria aplicado.

Apesar do palácio ter 365 quartos, apenas foram usados 25. Na sala de bilhar, havia uma inovação curiosa: um mecanismo que permitia chamar o criado específico de cada pessoa. Na casa de banho do rei há um idêntico.

Até 1960, o Palácio Real de Riofrio esteve abandonado. Decidiu-se então dedicar uma parte à instalação de um Museu de Caça. Hoje é um espaço didático, com muitas raças de animais que habitam o país e recreações dos seus habitats naturais: veados, cabras montês, ursos, javalis, açores, bufos reais, lobos ibéricos, linces e abutres. Fizeram as delícias dos mais novos.

Palácio Real de Riofrío; Reales Sitios de Espana

Quando saímos, passamos por alguns dos animais que acabamos de ver. São mais de 700 que habitam esta reserva e vivem livremente, indiferentes ao passar dos automóveis ou aos disparos das máquinas fotográficas.

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