10 de abril de 2013

Monte Sinai


O Senhor disse a Moisés: «Regista por escrito estas palavras, porque é de acordo com elas que Eu faço a aliança contigo e com Israel». Moisés permaneceu junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos. Moisés desceu o monte Sinai, levando na mão as duas tábuas da Lei.


Monte Sinai

Saímos do Cairo, após o almoço, e não fazíamos ideia da distância até ao monte Sinai. Foram cerca de 450 km’s e 8 horas de viagem, com 3 paragens, em que o motorista repetia sempre a mesma coisa: estamos quase a chegar. Ainda vimos a placa para famosa estância turística Sharm el-Sheikh, mas o nosso destino era o oposto. A parte final foi a mais complicada pois a estrada estava em mau estado e já era noite.


Chegamos a Santa Catarina pelas 22 horas, extremamente cansados. À nossa espera estava Mohamed, o guia que nos ia levar ao Sinai: tinha um inglês fluente, aparentava uns 30 anos, com um ar sereno que inspirava confiança, muito diferente dos dois tipos que nos tinham levado até ali. Explicou-nos muito sucintamente que iríamos subir o monte durante a noite e chegar ao nascer do sol, por isso deveríamos ir já descansar, para daqui a umas horas iniciarmos a subida. Era uma pessoa bastante reservada, mas durante a viagem acabamos por ter momentos de partilha dos diferentes modos de vida locais e na Europa. Apesar de trabalhar como guia, era filho de boas famílias do Cairo, tinha estudado Direito em Inglaterra, mas quando regressou ao Egito, decidiu não ter a vida que os pais tinham preparado para ele, mas seguir o seu sonho: ter a sua própria agência de viagens de aventura.

A subida inicia-se por um vale, entre o monte Sinai e o monte de Santa Catarina e à medida que nos afastamos, entramos por completo na escuridão, num caminho de terra e pedras, com um silêncio sepulcral.  A pouco mais de metade, começamos a ver uma carreira de luzes ao longe, que acabamos por encontrar: tratava-se de uma “caravana” de camelos que levava os “peregrinos” ao topo do monte por um outro caminho alternativo. No entanto, na parte final existem umas escadas bastante inclinadas que têm de ser feitas a pé.

Chegámos ao topo do monte em cerca de 3 horas, a uma altitude de 2300 metros. Estava frio e havia muita gente sentada e enrolada em cobertores à espera do nascer do sol, em volta da pequena Capela da Santíssima Trindade. Tentámos entrar mas estava tão cheia e mal deu para ver o altar.

Capela da Santíssima Trindade; Monte Sinai; Monte Horeb; Jebel Musa; Mount Sinai; Sinai Peninsula;

Este é o lugar onde, segundo a tradição, Moisés recebeu a orientação de Deus para a elaboração das tábuas dos Dez Mandamentos e onde se pensa que existia a sarça ardente. No entanto, não existe nenhuma evidência arqueológica que tenha sido neste lugar. Ficamos cá fora a ver o nascer do sol nas montanhas do Sinai e a tirar algumas fotografias,  e só então, com os primeiros raios de luz, nos apercebemos o quanto tínhamos que caminhar para voltar a descer.

Nascer do Sol no Monte Sinai; Monte Sinai; Monte Horeb; Jebel Musa; Mount Sinai; Sinai Peninsula;

Descendo 750 degraus abaixo do cume, chegamos a uma plataforma, onde segundo a Bíblia, Aarão e os 70 sábios hebreus esperaram Moisés, enquanto este recebia as tábuas de Deus.

Monte Sinai; Monte Horeb; Jebel Musa; Mount Sinai; Sinai Peninsula; Moisés; Tábuas da Lei;Êxodo;

A nossa próxima paragem foi no Mosteiro de Santa Catarina, que se encontra num vale e  no sopé do Monte Sinai. Para percebemos melhor a sua dimensão, subimos um pouco a montanha em frente à entrada. Toda a área de Santa Catarina é sagrada para o cristianismo, islamismo e judaísmo e é também Património Mundial da Unesco.

Mosteiro de Santa Catarina; Egipto; Património Mundial da Unesco;Saint Catherine's Monastery in Egypt; Monte Sinai; Monte Horeb; Jebel Musa; Mount Sinai; Sinai Peninsula;

Fundado no século VI, com arquitetura bizantina, é o mosteiro cristão mais antigo ainda em atividade. Até ao século XX, o acesso ao seu interior era feito por uma porta, que existia no cume da muralha, tendo de se subir por uma espécie de elevador. No seu interior existe uma pequena mesquita, a Capela de Santa Helena, uma das maiores bibliotecas religiosas, com um grande número de manuscritos antigos e raros e um museu com ícones de grande valor, como o da Virgem Maria, São Teodoro e São Jorge. Mas o seu maior tesouro é a sarça ardente original, de acordo com a Bíblia, no Êxodo 3.

Da parte da tarde fomos de Jeep até uma zona plana onde saímos e continuamos a pé até encontrarmos uma fenda. O guia desceu umas escadas de ferro e seguimo-lo. Tratava-se do desfiladeiro Branco onde caminhamos por formações rochosas e com paredes de arenito e calcário.

Desfiladeiro Branco; Egipto; White Canyon in Egypt; Sinai

Quando saímos do desfiladeiro chegamos ao oásis de Ein Khudra, com grandes palmeiras e fontes de água, onde habitam várias famílias de beduínos, bastante habituados a receber as pessoas que descem o desfiladeiro e por ali pernoitam.

Oásis de Ein Khudra; Egito; Ein Khudra Oasis; Egypt; Bedouin Village; Acampamento Beduíno

A noite foi passada só com os homens do acampamento, algumas crianças e com o nosso guia e o motorista, que nos tinha preparado o jantar. A situação mais interessante foi quando oferecemos canetas e papel às crianças e desenhámos o rato Mickey, figura que desconheciam por completo.

No dia seguinte partimos pelo deserto fora, passando por vários acampamentos de beduínos e rebanhos de cabras guardadas pelos pastores. A primeira paragem foi numa curiosa rocha com aspecto de um cogumelo ou árvore.

Terminamos uma viagem de cerca de 3 horas junto ao Mar Vermelho, na praia de Ras Abu Galum, muito tranquila e um local excepcional para snorkeling e mergulho. Almoçamos numa cabana, descansamos e aproveitamos a praia, onde o azul do mar  é deslumbrante.

Praia de Ras Abu Galum; Mar Vermelho; Ras Abu Galum beach; Red Sea; Snorkeling

A meio da tarde iniciamos uma caminhada de cerca de 1 hora, por um caminho à beira mar, em direção ao Blue Hole, embora o percurso também possa ser efectuado de camelo. O Blue Hole é uma espécie de caverna, junto à costa, com cerca de 130m de profundidade. A entrada faz-se no meio das rochas e ao mergulharmos a surpresa é enorme pela beleza dos corais e peixes que nadam em volta de nós, talvez por já estarem familiarizados com as pessoas. Quando vimos um cardume de peixes tipo “Nemo” seguimo-los e fomos surpreendidos pela quantidade que apareceram no meio dos corais.

No dia seguinte partimos de ferry para a Jordânia.
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