26 de abril de 2013

Havana


Fidel Castro entrou em Havana há 54 anos e ainda hoje se sentem as repercussões de tal acontecimento: o embargo norte-americano, as casas degradadas, os carros a cair e homens e mulheres que saem diariamente, vestidos a rigor, chamando os turistas para verem as suas poses encenadas.

Havana; Cuba

Amanhece em Havana. Acordamos cedo e vamos de imediato à janela. Estamos em pleno Malecón, uma avenida à beira mar com cerca de 7 km’s de comprimento. Da nossa janela vê-se o mar, os prédios, as casas e alguns carros. Não há ninguém nas ruas. À hora marcada estamos no lobby. A nossa guia esperava-nos num moderno autocarro climatizado, made in China. Esta ex-professora fala várias línguas e abandonou a antiga profissão porque as gorjetas ajudam a colmatar o baixo salário. Em Cuba, o turismo é a principal fonte de rendimento, não só devido às praias mas cada vez mais pela história da cidade.

Após uma breve passagem pela Universidad de La Habana, chegamos à Plaza de la Revolución. Na fachada do Ministério do Interior está a imagem conhecida em todo o mundo de Che Guevara. Do lado oposto, o memorial com mais de 100 metros e a estátua a José Martí, o herói que inspirou a música «Guantanamera».

Plaza de la Revolución; ; Che Guevara; estátua a José Martí

Apesar da sua dimensão, a praça está vazia e no local apenas há alguns carros antigos recuperados, que dada a afluência de turistas, aguardam horas até que alguém ceda ao desejo de uma foto… ou uma volta pela cidade.

Carros em Havana

Não podíamos deixar de ir a uma loja de charutos e outra de rum. Nestas visitas previamente compradas já sabemos que a passagem por estes lugares está sempre garantida. Não estamos contra mas é pena que os guias, e por consequência as pessoas, percam aqui demasiado tempo e quando prosseguimos viagem, seja sempre com mais pressa. Contam a história de que Fidel Castro fumava charutos Cohiba e Che Guevara preferia os Monte Cristo e por isso é tradição os turistas comprarem uma caixa de cada para recordação. Claro que, para quem não fuma nem suporta o cheiro dos charutos, é uma tradição um pouco dispendiosa.

Aproveitamos para conhecer as ruas circundantes. Há algumas pessoas nas varandas das casas a fumarem cigarros ou simplesmente encostados. É costume as portas e janelas estarem abertas, mesmo não havendo ninguém. Reparamos que têm pouca mobília e muitas vezes existem cordões de roupa que ocupam todo o espaço. Aquilo que nos parecem casas abandonadas são o lar de várias gerações de famílias que vivem sob o mesmo teto. Nas ruas passam carros de outros tempos muito vagarosamente. Há sempre pessoas a pedir boleia e os condutores param, sem problema.

Ruas, casas e carros em Havana; Cuba

Chinatown em Havana; Cuba

Finalmente, arrancamos. Passamos pela entrada do Chinatown e chegamos ao Capitólio. À semelhança do norte-americano, é um edifício imponente, cuja cúpula se vê de vários pontos da cidade. Construído na década 20 do século passado, é atualmente a sede da Academia das Ciências Cubana. É um lugar extremamente movimento e onde é necessária toda a atenção. Cada vez que um grupo de pessoas chega, são imediatamente interceptadas por pedintes que não aceitam um “não” como resposta. Do lado direito fica o belíssimo Gran Teatro de La Habana e em frente uma azáfama de veículos: os coco-táxis; os táxis (amarelos da marca Peugeot); os autocarros, só acessíveis aos cubanos; os autocarros de turistas e os carros locais. Quem quiser, poderá provar o granizado: uma bebida vermelha, trazida dentro de garrafões, que os vendedores ambulantes vertem para garrafas de vidro e colocam nos seus carrinhos.

Capitólio; Gran Teatro de La Habana; coco-táxis; Havana; Cuba

Havana; Cuba

Estamos a meio da manhã e finalmente vamos entrar em Habana Vieja. O percurso a partir daqui é todo feito a pé. Declarada Património da Humanidade pela Unesco, Havana Velha é composta por bonitas casas, palácios, museus e igrejas em estilo colonial e barroco. As fachadas estão claramente mais cuidadas, mas ainda há muito trabalho a fazer.  Passamos pela Iglesia y Monasterio de San Francisco de Asís e chegamos ao Palacio de los Capitanes Generales, atual Museu da Cidade. Em frente fica a Plaza de Armas, bem cuidada e movimentada, onde alfarrabistas vendem livros antigos. Talvez por ser Páscoa, havia música nas ruas e grupos de entretenimento. Quando visitamos o palácio, somos por várias vezes “convidados” pelas vigilantes a passar para dentro das salas em troca de dinheiro.

Na Calle Mercaderes fica a Casa de las Infusiones, local frequentado por Eça de Queirós entre 1872 e 1874 quando era cônsul em Havana. As notas do piano contagiam quem passa na rua.

O La Floridita era o bar favorito de Ernest Hemingway para beber um daiquiri, bebida feita com rum branco, lima, açúcar  e marasquino. Neste bar com 200 anos há várias fotografias do autor de O Velho e o Mar.

Quem prefere os mojitos, o melhor lugar é na Bodeguita del Medio. Apesar de ser minúsculo, há espaço para o bar, a banda e algumas pessoas que tentam dançar.

Mulher; Havana

Seguimos para a Catedral de San Cristóbal de la Habana, que apenas está aberta de manhã. Demorou 40 anos a ser construída e é das catedrais mais antigas da América. Segundo nos explicaram, o motivo das duas torres serem de dimensões diferentes deve-se ao facto de os materiais de construção terem sido insuficientes. Na Plaza de la Catedral fica o Museo de Arte Colonial e algumas esplanadas que servem bebidas frescas. Aqui é o local perfeito para encontrar aquelas senhoras, vestidas com blusa branca e saia rodada, que em troca de alguns pesos, mostram as suas poses e sorrisos encenados, fingindo fumar um charuto.

Catedral de San Cristóbal de la Habana; Plaza de la Catedral; Habana Vieja; Havana Velha; Cuba

Terminamos a visita no Castillo de los Tres Reyes Magos del Morro. Localizada na entrada da baía de Havana, esta fortaleza foi construída pelos espanhóis no final do século XVI e durante 170 anos foi impenetrável. Agora é o local ideal para uma visão panorâmica da cidade e do Malecón.

Almoçamos num restaurante na 7ª Avenida, mesmo em frente à Embaixada de Portugal. De todas as visitias pré-compradas que temos feito, esta foi a única onde a guia e o motorista almoçaram juntamente connosco. Ao início estavam pouco à vontade para responder às inúmeras questões que lhes colocavam, mas para o fim, acabámos a trocar moedas e cigarros. Quando lhes perguntamos lugares bons para jantar ou sair à noite, limitam-se a dizer o que outros turistas lhes transmitiram, porque é-lhes impossível aceder a esses locais.

Da parte da tarde, pedimos para nos deixarem no Hotel Nacional de Cuba. Com mais de 80 anos, é um verdadeiro monumento nacional e permite visitas a quem aqui não está hospedado. Fomos à procura de mais uma caixinha do Geocaching e tivemos de levar as indicações corretas porque o uso de GPS não é permitido em Cuba. O lobby está bem cuidado, mantém grande parte da decoração original em estilo art déco mas somos rapidamente atraídos para os jardins, com música e muita gente a apanhar sol nas esplanadas.

Hotel Nacional de Cuba; Havana

Coco Taxis; Havana

Regressamos ao Hotel Melia Cohiba a pé. Ainda pensamos em experimentar o coco-táxi, mas passear no Malecón não é algo que se faça todos os dias. Passamos pela Tribuna Anti-imperialista José Martí, mesmo ao lado Oficina de Intereses de los Estados Unidos. Somos abordados por 2 soldados que nos alertam para a proibição de tirar fotografias ou passar em frente ao edifício. A frase «Patria o muerte» aparece mais uma vez, como em tantos outros lugares de Havana.

Tribuna Anti-imperialista José Martí; Oficina de Intereses de los Estados Unidos; Malecón; Havana; Cuba

Atravessamos a estrada e fazemos toda a marginal a pé. De tempos a tempos, somos salpicados pela água do mar que tenta passar o muro, construído há mais de 100 anos. É dos locais preferidos dos habaneros: há crianças a equilibrarem-se nas rochas e a tentarem aperfeiçoar os seus mergulhos; há casais de namorados; há pescadores que tentam levar algo para o jantar mas nós apenas desfrutamos do pôr-do-sol no Golfo do México.

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3 comentários:

  1. quero fazer o meu cursos superior de Medicina em cuba, que sugestões podem me dar?
    onde me hospedar? e quanto se cobra a estadia durante o curso todo, isto é da Licenciatura ao Doutoramento?

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  2. desculpe esqueci de dizer que neste preciso momento encontro-me em Angola, cidade do Huambo.o meu contacto tel. é 926124160

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  3. Gostei deste passeio virtual por Cuba. Ainda não conheço mas acredito que quando for muito estará diferente. Ventos de mudança...

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